Autoridades italianas renunciam após condenação em caso sobre terremoto

Autoridades de um órgão do governo de avaliação de desastres renunciaram nesta terça-feira, um dia depois de sete cientistas e funcionários terem sido condenados por homicídio culposo por não darem o alerta adequado sobre o terremoto mortal que atingiu a cidade de L'Aquila em 2009.

Reuters

23 de outubro de 2012 | 17h18

O chefe da Comissão Nacional para a Previsão e Prevenção de Riscos Importantes, Luciano Maiani, o ex-presidente Giuseppe Zamberletti e o vice-presidente Mauro Rosi afirmaram que as condenações tornaram impossível a continuidade do trabalho.

Em comunicado, eles afirmaram que a situação criada pelo veredicto do tribunal era "incompatível com o cumprimento regular e eficiente das tarefas da comissão".

Na segunda-feira, os sete membros da Comissão de 2009 foram condenados a seis anos de prisão por homicídio culposo depois que deram, segundo os promotores, alertas "incompletos, imprecisos e contraditórios" sobre o risco de um grande terremoto.

O veredicto provocou advertências de comentaristas italianos e internacionais de que a partir de agora cientistas não estariam dispostos a dar suas opiniões sobre questões potencialmente sensíveis devido à possível ameaça de uma ação legal.

"O mais preocupante é que a partir de agora, não haverá um único perito disposto a participar da comissão porque eles sabem que podem enfrentar pesadas condenações penais por não terem sido capazes de prever um terremoto desastroso", escreveu o Corriere della Sera em um editorial de primeira página.

O terremoto de magnitude 6,3 atingiu a cidade medieval de L'Aquila nas primeiras horas da manhã de 6 de abril de 2009, destruindo dezenas de milhares de edifícios, ferindo mais de mil pessoas e matando 308.

(Reportagem de James Mackenzie)

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