REUTERS/Nadezhda Polomoshnova
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Incêndio em avião que fez pouso de emergência deixa 41 mortos em Moscou

Aeronave da companhia estatal Aeroflot decolou com destino à cidade de Murmansk, no noroeste do país, mas retornou minutos depois por problemas a bordo

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2019 | 14h25
Atualizado 06 de maio de 2019 | 10h46

MOSCOU - Um incêndio que destruiu parte de um avião da companhia aérea estatal russa Aeroflot no domingo, 5, depois de um pouso de emergência no aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, matou 41 das 78 pessoas a bordo, segundo as autoridades locais.

"Havia 78 pessoas a bordo, incluindo os membros da tripulação. Segundo a informação atualizada que temos até o momento, 37 pessoas sobreviveram", disse o Comitê de Investigação da Rússia em comunicado divulgado na noite de ontem, sem indicar quantas pessoas morreram no incidente.

As duas caixas-pretas, o gravador de voz e o parâmetros de voo foram recuperados e entregues ao Comitê Interestadual de Aviação na segunda, 6. A recuperação de dados das caixas pode levar de duas a quatro semanas. 

O avião Sukhoi modelo Superjet 100 decolou às 18h02 (12h02 em Brasília) deste mesmo aeroporto com destino a Mursmank, no extremo norte do país. Alguns minutos depois, no entanto, declarou uma emergência e retornou para a capital, onde realizou o pouso de emergência 28 minutos depois.

"Não conseguiram na primeira tentativa e, na segunda, o trem de pouso impactou contra a pista, da mesma forma que o nariz do avião, e aconteceu o incêndio", disse uma fonte dos serviços de emergência à agência Interfax. 

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou condolências aos parentes das vítimas e deu instruções para que recebam todo tipo de assistência, informou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Um vídeo divulgado por emissoras russas mostra a aterrissagem do avião já envolto em chamas. Em outras imagens, publicadas nas redes sociais, é possível ver o procedimento de esvaziamento da aeronave com os passageiros usando os escorregadores de emergência que foram inflados após o pouso.

De acordo com a agência Ria Novosti, um problema elétrico teria causado o incêndio durante o voo. Um passageiro, no entanto, relatou que um raio teria atingido a aeronave depois da decolagem.

"Acabamos de decolar e o avião foi atingido por um raio (...) O pouso foi difícil. O avião saltou na pista como um gafanhoto e pegou fogo no chão", relatou Petr Egorov ao jornal russo Komsomolskaya Pravda.

Segundo o site Flightradar24, especializado no monitoramento de voos, o piloto informou sobre um incidente no voo às 18h11, nove minutos depois de deixar o aeroporto em Moscou. O sinal de emergência foi ativado às 18h25.

"Às 18h30 o avião fez um pouso de emergência", informou, em nota, o aeroporto. O incêndio carbonizou totalmente a parte posterior do aparelho.

A Interfax citou uma fonte anônima que afirmou que a aeronave teria pousado com os tanques cheios de combustível porque teria perdido o contato por rádio com os controladores de tráfego aéreo e "era perigoso realizar uma manobra para esvaziar os tanques voando sobre Moscou".

O Flightradar24, no entanto, mostra que a aeronave sobrevoou Moscou em círculo duas vezes antes de fazer a aterrissagem de emergência.

"Foi aberta uma investigação criminal por violações das normas de segurança", indicou o Comitê de Investigação da Rússia.

O Superjet 100 foi o primeiro avião civil projetado na Rússia após o colapso da União Soviética. Motivo de orgulho na época de seu lançamento, desde então tem sido criticado e teve pouquíssima aceitação fora do mercado russo e várias empresas estrangeiras mencionaram problemas de confiabilidade. 

Desde que começou a voar em 2008, este é o segundo acidente com vítimas em que um Superjet 100 se envolve, segundo o banco de dados Aviation Safety Network, que monitora este tipo de incidente. / EFE e REUTERS

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