Avião pega fogo ao decolar em Madri; pelo menos 153 morrem

Aeronave teria 172 pessoas a bordo; acidente foi o pior ocorrido na Espanha em mais de duas décadas

Agências internacionais,

20 de agosto de 2008 | 10h12

Um avião da Spanair, modelo MD-82, com 172 pessoas a bordo, sofreu um acidente no aeroporto de Barajas, em Madri, nesta quarta-feira, 20. A aeronave teria saído da pista enquanto decolava depois de um incêndio no motor esquerdo. A ministra do Desenvolvimento da Espanha, Magdalena Alvarez, declarou em coletiva de imprensa que 153 pessoas morreram. De acordo com o governo espanhol, 20 ficaram feridas, muitas em estado grave. Um dos sobreviventes morreu no hospital, baixando o número de sobreviventes para 19. Este é o pior acidente aéreo ocorrido na Espanha em mais de duas décadas.   Acredita-se que um incêndio no motor tenha causado o acidente, ocorrido à 14h45  (horário local). O vôo JK5022 deixava Madri com destino a Las Palmas de Gran Canária no momento do desastre.  O avião chegou a subir alguns metros quanto um incêndio começou no motor esquerdo. Pouco antes, uma primeira tentativa de decolagem havia sido abortada por causa de problemas técnicos.    Veja também: Aeronaves MD-80 têm longo histórico de acidentes aéreos Lista de vítimas divulgada pela companhia Assista ao vídeo  Especial: Como foi o acidente na Espanha Livio Oricchio, repórter do Estado em Madri: cenário era de uma guerra  Não há confirmação de brasileiros no vôo  O lugar parece o inferno, diz testemunha Maior acidente aéreo da história matou 583 na Espanha   Segundo o repórter do Estado, Livio Oricchio, que estava em um dos vôos impedidos de decolar após o acidente, a área atingida pelo fogo era muito grande e havia vários carros do serviço de emergência no local. Lívio seguiu para Valência, onde fará a cobertura do Grande Prêmio da Europa de Fórmula 1. O incêndio foi controlado pouco mais de duas horas depois e o aeroporto foi reaberto.   Em seu site, a Spanair afirma que está prestando apoio às autoridades espanholas e que foi colocado um número para informar familiares e amigos sobre os passageiros que estavam no vôo. Um porta-voz da companhia disse que os nomes dos passageiros só serão divulgados após terem informado a todos os parentes. Segundo a companhia escandinava SAS, proprietária da Spanair, 166 passageiros e seis tripulantes estavam a bordo do avião.   O vôo da Spanair era compartilhado com a companhia aérea alemã Lufthansa. A empresa confirmou que de seus sete passageiros com passagens para embarcar no vôo da Spanair, quatro eram alemães. Além disso, havia dois passageiros suecos no vôo. Mais cedo, foi divulgado que havia um chileno entre os passageiros, mas a informação foi negada pela empresa área. Segundo o Itamaraty, até o momento não há nenhum indício de que havia brasileiros no avião.     Uma fonte dos serviços de emergência disse que o número de mortos é muito maior e que somente cerca de 25 pessoas sobreviveram. "Eles estão retirando corpos carbonizados. O avião está totalmente destruído", disse a fonte. A aeronave passou por uma revisão completa em 25 de janeiro, segundo o El Pais, e operava há 15 anos, 9 deles pela Spanair.  Os pilotos da Spanair ameaçaram entrar em greve no início da manhã, horas antes do acidente, em protesto por um plano para salvar a empresa de dívidas. A SAS chegou a colocar a companhia espanhola à venda em 2007, mas por conta da alta do preço dos combustíveis e a queda da demanda, a concorrente Ibéria e a empresa espanhola Marsans retiraram suas propostas de compra. A Spanair é responsável pelas maiores perdas da SAS, com prejuízo de mais de US$ 80,9 milhões na primeira metade de 2008. Recentemente, foi anunciado um plano para cortar 25% da capacidade da empresa e 1.062 empregos.   Os dois últimos acidentes com vítimas no aeroporto de Barajas ocorreram em 1983. Em 27 de novembro daquele ano, 181 pessoas morreram e 11 se salvaram devido à queda de um Boeing 747 da companhia colombiana Avianca perto do aeroporto de Madri. O avião se preparava para aterrissar em Barajas. Dias depois, em 7 de dezembro, 93 pessoas morreram e 31 ficaram feridos devido à colisão na pista de decolagem do aeroporto de Barajas entre um Boeing 727 da Iberia e um DC-9 da Aviaco, incidente causado pela existência de nevoeiro.   O mais grave desastre aéreo da aviação registrado até hoje, segundo a Aviation Security Network, aconteceu em 1977, quando duas aeronaves das companhias Pan Am e KLM chocaram-se na hora da decolagem no Aeroporto de Tenerife, na Espanha, matando 583 pessoas.   (Matéria atualizada às 19h50)  

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