Avião teve superaquecimento na 1ª decolagem, diz Spanair

Companhia diz que problema foi solucionado para a liberação da aeronave acidentada que matou 153 em Madri

Agências internacionais,

21 de agosto de 2008 | 08h40

O avião da Spanair que sofreu um acidente na quarta-feira no aeroporto de Barajas, em Madri, teve um problema de superaquecimento antes de iniciar a manobra para decolar pela primeira vez, informou nesta quinta-feira, 21, o subdiretor-geral da companhia aérea, Javier Mendoza. Em entrevista coletiva, o responsável pela companhia afirmou que, uma vez solucionado o problema num dispositivo de temperatura na parte externa, a aeronave foi liberada para voar que mais anomalias fossem detectadas.  Veja também:Pelo menos 153 morrem em acidente em MadriAeronaves MD-80 têm histórico de acidentesAvião deu 'sacudida brutal', diz sobrevivente Lista de vítimas divulgada pela companhiaAssista ao vídeo Especial: Como foi o acidente na EspanhaLivio Oricchio, repórter do Estado em Madri: cenário era de uma guerra  Não há confirmação de brasileiros no vôo Maior acidente aéreo matou 583 na Espanha A Spanair afirmou que o piloto do MD-82 da empresa informou inicialmente um problema de superaquecimento numa válvula de entrada de ar, posicionada no bico do avião, que foi desconectada para corrigir o problema. De acordo com Mendoza, trata-se de procedimento habitual. Isso fez com que o vôo sofresse atraso de uma hora até a reparação do problema. O avião bateu no final da pista durante a segunda tentativa de decolagem. A aeronave pegou fogo e foi quase totalmente destruída no pior desastre aéreo ocorrido na Espanha em quase 25 anos. Dezenove pessoas das 172 pessoas a bordo sobreviveram ao acidente. Segundo o jornal espanhol El País, Mendoza afirmou que uma vez revisada toda a documentação do problema pelos técnicos da Spanair após o incidente, não foi encontrada nenhuma "anormalidade" na resolução tomada pela tripulação e pelos funcionários em terra, tudo aconteceu de acordo com os padrões e procedimentos dos manuais de aviação". O subdiretor afirmou ainda que não há informações se a aeronave do acidente estava entre as que a Spanair retiraria de operação, e que a seleção dos equipamentos que seriam removidos da frota da empresa seria finalizada nesta semana. Segundo o El País, questionado sobre a possibilidade da companhia realizar uma revisão especial nos modelos MD-82 da Spanair, o presidente da SAS, a empresa escandinava proprietária da Spanair, Mats Jansson, afirmou que não existe nenhuma razão, após analisar a documentação da operação, para tomar tal medida. O comitê de empresa da Spanair em Palma de Mallorca (Ilhas Baleares), onde fica a sede a companhia aérea, negou que a tripulação que pilotava o avião que se acidentou estivesse com excesso de horas de trabalho. "Excesso de horas não havia de nenhuma maneira, e sim o excesso de trabalho que há no verão (hemisfério norte), mas totalmente dentro do normal", disse o presidente do comitê de empresa, Jordi Mauri, em declarações à imprensa. A Spanair - empresa controlada pelo grupo escandinavo SAS - passa por problemas financeiros e, recentemente, teve de suspender as vendas de passagens aéreas por causa da alta do preço do combustível. A companhia chegou a anunciar um plano de viabilidade que contemplava o fechamento de rotas e demissões em massa, e, segundo o sindicato de pilotos, vivia um "caos organizacional". O avião - que levava 172 pessoas a bordo - tinha como destino as Ilhas Canárias. Testemunhas afirmaram que ao tentar decolar, às 14h45 (9h45 de Brasília), o motor esquerdo da aeronave pegou fogo, fazendo o avião cair na própria pista depois de ter subido alguns metros. O incêndio no motor espalhou-se e a aeronave, desgovernada e em chamas, parou numa área de grama ao lado da pista, partida em dois. O avião, que tinha 15 anos de uso e havia sido utilizado anteriormente pela Korean Air, passou por revisão em janeiro e nenhuma falha técnica foi detectada. Vítimas Os responsáveis pela investigação do acidente no aeroporto de Barajas autorizaram o sepultamento das vítimas que ainda não foram identificadas. O reconhecimento será feito por amostras de DNA e deve durar dois ou três dias. Entre os 19 sobreviventes quatro estão em estado crítico, seis em estado grave, oito em observação e um tem apenas ferimentos leves.  Os bombeiros localizaram os cadáveres dos dois passageiros que ainda não tinham sido encontrados, e que correspondem a um bebê e a um adulto, informou o chefe do serviço de extinção de incêndios do aeroporto de Barajas, Benjamín Olivares. Com a localização dos cadáveres, disse, "a princípio, estão resgatadas todas as vítimas" e poderiam se dar por finalizados os trabalhos de busca. Matéria atualizada às 9h35. 

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