Ban pede justiça para fechar feridas do massacre de Srebrenica

Em 1995, mais de 8.000 muçulmanos foram mortos na guerra da Bósnia

Efe e AP,

12 de julho de 2010 | 18h38

NOVA YORK- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou nesta segunda-feira, 12, que, sem que se faça justiça, não é possível fechar a ferida aberta há 15 anos pelo massacre de 8 mil muçulmanos em Srebrenica (Bósnia-Herzegovina) cometido pelas tropas sérvias do general Ratko Mladic, ainda foragido.

 

Em uma cerimônia solene na sede da ONU, Ban disse que o respeito e a confiança que a região dos Bálcãs necessita para superar o passado "depende muito de que os responsáveis prestem contas".

 

"Até que aqueles acusados de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra sejam julgados, a busca da justiça e o processo de cura das feridas estarão incompletos", declarou o secretário-geral em discurso.

 

Segundo ele, "deve-se dizer a verdade e deve-se fazer justiça" ao pior massacre cometido na Europa desde a fundação das Nações Unidas em 1945, após a II Guerra Mundial.

 

"Os tempos da impunidade passaram, entramos na era da prestação de contas", destacou Ban, acompanhado na cerimônia pelo presidente da Assembleia Geral, Ali Treki, e o embaixador bósnio para a organização, Ivan Barbalic.

 

O secretário-geral também reconheceu "os graves erros de julgamento" dos responsáveis da ONU da época, que não souberam evitar o massacre. Segundo ele, o organismo aprendeu a lição.

 

"Juramos todos juntos que não voltaremos a permitir que aconteça novamente uma atrocidade igual em outro lugar. Devemos isso às almas de Srebrenica", afirmou.

 

Para Ban, este aniversário é também um momento para reavaliar o poder "da tolerância e do entendimento". Por isso, ele pediu aos povos dos Bálcãs que articulem relações diplomáticas com base no respeito e na confiança.

 

O massacre foi considerado um genocídio pelas instituições judiciais internacionais.

 

Quinze anos depois, Mladic, o ex-líder militar servo-bósnio e um dos principais acusados pelo massacre de Srebrenica pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), segue foragido da Justiça.

 

Negação

 

O líder servo-bósnio, Milorad Dodik, negou nesta segunda que o massacre de muçulmanos em Srebrenica tenha sido um genocídio.

 

Em um cemitério em Bratunac, em uma homenagem aos sérvios mortos durante a guerra na Bósnia-Herzegovina, Dodik disse reconhecer que o massacre foi o crime de guerra, mas que não poderia chamá-lo de genocídio.

 

Os sérvios se queixam de que o mundo honra as mais de 8.000 vítimas muçulmanas anualmente, mas ignora a comemoração para os sérvios, um dia depois.

 

O governo da Sérvia alega que mais de 3.500 sérvios foram mortos na guerra (1992-1995), a maioria deles, soldados.

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