Bancada governista pressiona premiê britânico contra UE

Parlamentares conservadores pediram ao primeiro-ministro David Cameron que se empenhe na busca por proteção ao setor financeiro britânico durante a cúpula desta semana da União Europeia, cuja pauta será dominada pela crise da dívida no continente.

KEITH WEIR, REUTERS

08 de dezembro de 2011 | 09h28

Cameron, que chega nesta quinta-feira a Bruxelas para a cúpula, corre o risco de se indispor com o seu Partido Conservador se apoiar medidas de resgate da zona do euro que envolvam a cessão de mais poderes às instituições europeias.

Divisões sobre a União Europeia já racharam o partido na sua passagem anterior pelo poder, na década de 1990, e Cameron está dolorosamente ciente de como esse assunto pode ser tóxico.

"As propostas da União Europeia constituem uma grave ameaça ao setor britânico de serviços financeiros", disse uma carta assinada por mais de 20 parlamentares conservadores, publicada no Daily Telegraph.

"É imperativo que o governo proteja nossa posição, defendendo um novo protocolo da UE ou uma salvaguarda jurídica específica para a Grã-Bretanha", afirma o texto. "Sem uma ação forte, a presente tendência ameaça seriamente os empregos britânicos e a arrecadação do Tesouro."

A ala direitista da bancada do governo vê a atual crise como uma oportunidade ímpar para que Londres retome alguns poderes cedidos a Bruxelas. O próprio Cameron se considera um "eurocético", mas diz que a prioridade no momento é salvar as economias da zona do euro, que são coletivamente o maior parceiro comercial da Grã-Bretanha.

Na quarta-feira, ele prometeu ao Parlamento que buscará salvaguardas para o setor financeiro britânico. Numa sessão tumultuada, deputados governistas disseram que ele precisa levar para a cúpula o tradicional "espírito de buldogue" da Grã-Bretanha.

Há dez países da União Europeia que não usam o euro como moeda, e o Reino Unido é o maior deles. O maior motivo de preocupação para Londres nas atuais discussões é a proposta franco-germânica de impor um imposto sobre transações financeiras, que afetariam muito duramente a Grã-Bretanha - os serviços financeiros respondem por mais de 10 por cento do PIB britânico.

A posição de Cameron fica ainda mais complicada pelo fato de ele governar em coalizão com o Partido Liberal Democrata, "eurófilo".

Apesar da pressão de alguns aliados, Cameron rejeita convocar um referendo para redefinir as relações da Grã-Bretanha com a União Europeia. O país aderiu ao bloco em 1973, mas sempre teve uma relação ambivalente com o restante da Europa, e restrições ao aprofundamento da união continental.

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