Bélgica acusa seis supostos extremistas islâmicos

Justiça diz que não tem provas para acusar os 14 detidos na ação antiterror; blogueira da Al-Qaeda foi presa

Agências internacionais ,

12 de dezembro de 2008 | 10h35

 Autoridades da Bélgica disseram nesta sexta-feira, 12, que acusaram seis supostos extremistas que teriam laços com a Al-Qaeda, incluindo uma conhecida blogueira que prega a jihad. O juiz decidiu que não tinha evidência suficientes para processar os outros oito suspeitos dos 14 detidos pela polícia na quinta, durante batidas realizadas em Bruxelas e no leste do país, segundo afirmou a porta-voz da Procuradoria federal Lieve Pellens.  A investida contra o grupo ocorreu horas antes do início de uma reunião de cúpula da União Européia - que levou a Bruxelas os líderes de 27 países. As autoridades, porém, não especificaram o local onde seria lançado o suposto ataque. Cerca de 250 policiais participaram da operação em 16 localidades da capital belga e na cidade de Liège, no leste do país. Na ação, que ocorreu durante a madrugada, a polícia confiscou computadores, equipamento de armazenamento de dados e uma pistola. A porta-voz afirmou que os seis acusados formam o centro de um grupo terrorista e inclui um militante que teria planejado um ataque suicida. Todos os detidos possuem cidadania belga, incluindo a marroquina Malika El Aroud, a única mulher detida na operação. A maioria dos homens tem entre 20 e 30 anos e apenas um é conhecido nas investigações terroristas. Blogueira da Al-Qaeda A única pessoa detida e identificada publicamente pela polícia na operação contra os supostos membros da Al-Qaeda, em Bruxelas, é Malika el-Aroud, de 48 anos. Cidadã belga nascida no Marrocos, Malika é conhecida por escrever em francês sob o pseudônimo de Oum Obeyda. O presidente do Centro Europeu de Inteligência Estratégica e Segurança - uma instituição não-governamental -, Claude Moniquet, disse durante entrevista que "trata-se de uma mulher muito ativa e uma jihadista capaz de motivar terroristas" com seus textos. Segundo Moniquet, ela publicou suas mais recentes exortações à jihad (guerra santa) em seu blog na internet três semanas atrás, defendendo os ataques suicidas. "Nós a consideramos um elemento muito perigoso." Malika, que se mudou para a Bélgica quando ainda era muito jovem, começou a publicar seus textos depois que seu marido morreu no Afeganistão, em setembro de 2001, cometendo um atentado suicida contra o general Ahmed Shah Massud, senhor da guerra conhecido como "o Leão do Panshir" e líder da milícia Aliança do Norte, que combatia o Taleban. Para atacar Massud - poucos dias antes dos atentados do 11 de Setembro -, os terroristas se fizeram passar por jornalistas e se explodiram ao lado do líder anti-Taleban.

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