Bélgica inicia maior julgamento de extremistas islâmicos de sua história

Promotores belgas acusaram 46 integrantes do grupo islâmico Sharia4Belgium (Sharia para a Bélgica) nesta segunda-feira de pertencerem a uma organização terrorista e fazerem lavagem cerebral em jovens do país para que participem de uma guerra santa na Síria.

ROBERT-JAN BARTUNEK, REUTERS

29 de setembro de 2014 | 16h33

Só oito dos acusados estavam presentes no tribunal fortemente protegido na cidade portuária de Antuérpia, no norte da Bélgica. Acredita-se que os outros estejam em território sírio.

O maior julgamento de extremistas islâmicos da história belga ressalta sua condição de terreno fértil para o recrutamento de militantes. Cerca de 300 combatentes na Síria saíram da Bélgica, o maior índice per capita entre países ocidentais europeus, de acordo com o Centro Internacional de Estudos da Radicalização.

Os promotores disseram que o grupo era liderado por Fouad Belkacem, de 32 anos, o porta-voz do Sharia4Belgium, uma organização salafista já desfeita que queria a adoção da sharia (interpretação rígida da lei islâmica) na Bélgica. Embora não tenha lutado na Síria, ao contrário da maioria dos réus, ele era o principal incentivador do grupo, segundo os promotores.

"As palavras de Belkacem só podem ser interpretadas como um chamado à violência e à jihad", afirmou a promotora Ann Fransen, listando uma longa série de discursos e vídeos nos quais ele iguala a jihad militar a orações e jejuns.

Os promotores detalharam como os membros do Sharia4Belgium abordavam os jovens do sexo masculino, e algumas adolescentes, nas ruas de Antuérpia e Vilvoorde, ao norte de Bruxelas, convidando-os a seu centro em Antuérpia para serem doutrinados e preparados para viajar à Síria, onde se juntavam a organizações como a Jabhat al-Nusra, inspirada na Al Qaeda, e em outras que mais tarde se fundiram no Estado Islâmico.

(Reportagem adicional de Christian Levaux)

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