Bélgica se opõe à candidatura de Blair à liderança da UE

O premiê belga disse que o cargo deve ser exercido pelo representante de um país que faça parte de todas as políticas da comunidade, como o Euro

EFE

06 de abril de 2008 | 19h25

O primeiro-ministro belga, Yves Leterme, manifestou nesse domingo, 6, sua oposição a que o primeiro-ministro da União Européia (UE) seja de um país que foi contra à unificação da moeda (o euro) e outras importantes políticas da comunidade, em uma aparente referência à candidatura do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Blair foi citado em várias ocasiões, inclusive pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, como um possível candidato ao cargo de presidente do conselho da UE, um posto com mandato de dois anos que irá iniciar quando o Tratado de Lisboa entrar em vigor, dia 1º de janeiro de 2009. Leterme, em declarações à cadeia de televisão pública flamenca VRT, disse que o presidente da UE ocupará "uma posição-chave" na União, por isso seu país de procedência deve ser "membro integral da União Européia em todas as suas facetas". Apesar de o chefe do governo belga não mencionou nenhum possível aspirante ao cargo, os comentários pareciam dirigidos tanto contra Blair quanto contra o atual primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen. O Reino Unido não participa do euro e se autoexcluiu da Carta de Direitos Fundamentais da União. A Dinamarca também não participa da moeda única, uma das quatro restrições que o país fez ao Tratado de Maastricht, mas Rasmussen já anunciou que irá convocar uma consulta popular a respeito deste assunto. Leterme reforçou a postura manifestada na quarta-feira passada, 2, por seu ministro do exterior, Karel de Gucth, que leu um discurso em Lisboa dizendo que seria "natural que o primeiro presidente do Conselho da UE proceda de um país que faça parte de todas as políticas da comunidade". "A pessoas que será designada para esta tarefa não deveria ser de um país que se beneficia de exclusões de algumas políticas-chave da comunidade, como a zona Schengen, o euro e a Carta de Direitos Fundamentais", disse De Gucht. Mesmo sem Leterme e De Gucht não terem mencionado Blair explicitamente, essas três políticas são as principais ressalvas do Reino Unido à União.

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