Berlusconi ameaça usar Exército em crise do lixo de Nápoles

O primeiro-ministro de Itália, SilvioBerlusconi, disse na sexta-feira que poderia mobilizar oExército para conter os protestos decorrentes da crise do lixoem Nápoles, no sul do país. O bilionário premiê conservador faz da retirada do lixonapolitano uma prioridade deste seu governo, que começou hátrês semanas. O acúmulo de detritos mal-cheirosos estáafastando turistas e ameaçando a saúde da população. Berlusconi propôs abrir um novo lixão, mas moradores seopuseram. O premiê disse que não vai se intimidar e ameaçouprocessar quem se tentar interferir no novo aterro. Ele também insistiu na proposta, anunciada inicialmente porele no dia 21, de usar as Forças Armadas para proteger aterrossanitários. "Vamos usar a força nacional -- o Exército", disseele na sua segunda reunião ministerial em Nápoles em pouco maisde uma semana. O lixo se acumula nas ruas de Nápoles desde o fim do anopassado, quando todos os aterros foram declarados cheios. Alémdisso, a Camorra (máfia local) está envolvida na administraçãode lixões industriais clandestinos. Berlusconi promete resolver o problema dentro de três anos.Há uma semana, o gabinete aprovou um pacote legislativo contraa crise. Na sexta-feira, uma fonte oficial disse que ossoldados podem ocupar também os centros de triagem do lixo. "O que está em jogo são as regras básicas para evitar quese escorregue da democracia na anarquia", justificouBerlusconi. Nesta semana um juiz de Nápoles determinou a prisãodomiciliar de 25 pessoas, inclusive empregados da construtoraImpregilo, por supostas irregularidades no despejo de dejetos. Um dos investigados, poupado da prisão, é o chefe depolícia da cidade, Alessandro Pansa, que nega irregularidades. Berlusconi defendeu a nomeação de um promotor especial paraacompanhar a crise do lixo. O ex-juiz Antonio di Pietro, célebre por seu trabalhocontra a corrupção, hoje atuando como um importante político decentro-esquerda, disse que tal medida poderia afetar o trabalhodos promotores locais.

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