Berlusconi deixa o poder em meio a vaias e zombarias

Silvio Berlusconi dominou a Itália por 17 anos com uma mistura única de talento político e comportamento descarado, mas deixou o cargo derrubado pelo poder do mercado e com a zombaria dos romanos soando nos ouvidos.

BARRY MOODY, REUTERS

13 de novembro de 2011 | 11h37

Um showman nato, com um autodeclarado talento para atrair simpatia, o magnata da mídia de 75 anos parecia amargurado e isolado ao se dirigir para a residência do presidente Giorgio Napolitano, onde renunciou oficialmente ao cargo no sábado.

Em cenas que lembravam o destino de seu antecessor Bettino Crazi quando ele deixava um hotel de Roma em 1993, Berlusconi saiu da cena política com multidões furiosas gritando insultos a sua limusine.

Depois de entregar sua renúncia, Berlusconi deixou o Palácio Quirinale por uma entrada lateral enquanto milhares de manifestantes gritavam "palhaço! palhaço!," o insulto tradicionalmente reservado para políticos italianos que caíram em desgraça.

A saída do primeiro-ministro há mais tempo no poder na Itália pôs fim a semanas de turbulência nos mercados financeiros que deixaram o país dependente da ajuda do Banco Central Europeu para conter uma crise que ameaça toda a zona do euro.

Também encerra uma carreira política notável que se estendia desde o caso de corrupção "Bribesville," que destruiu a velha ordem política nos anos 1990, para uma nova era de escândalos.

Amparado por habilidades de comunicação incomparáveis e um domínio da mídia italiana, Berlusconi pareceu durante anos imune a uma série de polêmicas que teria destruído políticos em outras partes do mundo.

Entre elas estão o escândalo "Rubygate," no qual ele foi acusado de ter relações sexuais com uma prostituta menor de idade, e uma onda de revelações indecentes de escutas telefônicas feitas pela polícia sobre supostas orgias em sua luxuosa vila em Milão.

Ele também enfrenta dois processos de fraude, os últimos em mais de 30 processos abertos por magistrados que, segundo Berlusconi, são comunistas que tentam deturpar a democracia.

O bronzeado magnata da mídia, que já foi cantor de navios de cruzeiros, nunca se mostrou arrependido por uma série de gafes diplomáticas que fizeram com que muitos líderes estrangeiros evitassem ser fotografados perto dele.

Berlusconi, um dos homens mais ricos da Itália, passou a maior parte deste ano em declínio político, com sua antiga autoridade minada por equívocos nas eleições locais e por três referendos, assim como pela perda de uma importante aliança.

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