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Berlusconi: desabrigados poderão voltar para casa em 2 meses

O primeiro-ministro disse que há 55.205 mil desabrigados e 33.306 mil se encontram em 196 'tendópolis'

Efe,

12 de abril de 2009 | 15h34

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse neste domingo, 12, em Áquila que, em um prazo de dois meses, estarão acabadas as certificações de habitabilidade dos edifícios atingidos pelo terremoto e os desabrigados cujas casas não apresentarem problemas poderão começar a voltar para casa.

 

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Berlusconi fez essas declarações após passar o domingo de Páscoa - festa muito tradicional entre os italianos - com os desabrigados nas "tendópolis", acampamentos de tendas campanha colocados em vários pontos de Áquila. O premiê, que disse que está disposto a voltar todos os dias a Áquila enquanto for necessária sua presença, afirmou que o Executivo "fará tudo o necessário para tirar as pessoas das tendas de campanha, para que voltem para casa".

 

O primeiro-ministro disse que há 55.205 mil desabrigados, dos quais 21.899 mil estão hospedados em hotéis da área e da vizinha costa Adriática, e 33.306 mil se encontram em 196 "tendópolis" em zonas da periferia de Áquila, cidade cujo centro histórico foi o mais danificado. Ele falou que a primeira fase de "emergência" foi dada por concluída e agora começa o período da reconstrução, e que já foram avaliados 1.049 mil edifícios, entre eles 25 escolas, para permitir que os estudantes voltem o mais rápido possível aos centros.

 

Os edifícios que desabaram ou onde não se pode viver são de, segundo números provisórios da Defesa Civil citados pelo jornal "Corriere della Sera", entre 38 mil e 60 mil entre Áquila e as localidades de Abruzzo atingidas. Berlusconi anunciou também que o Conselho de Ministros que estudará as medidas de ajudas aos desabrigados acontecerá em L'Aquila, provavelmente na Escola de Suboficiais da Guarda de Finanças, que não sofreu danos.

 

O primeiro-ministro pediu aos políticos que não vão a Áquila se não for porque têm algo a oferecer. Para "brilhar na passarela", escolham outro lugar, disse Berlusconi. O presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, também passou o domingo de Páscoa entre os desabrigados do terremoto. Fini visitou Villa Sant'Angelo, localidade de 300 habitantes, dos quais morreram 17 e que ficou 80% destruída.

 

Os habitantes estão em tendas de campanha e Fini comeu com eles nas mesmas, e visitou um hospital e os grupos de voluntários, da Defesa Civil e de outros corpos que participam das tarefas de assistência.

 

 

Páscoa

 

Neste domingo, 12, em meio ao frio, à falta de móveis e utensílios e à tristeza por terem perdido suas casas e objetos queridos, os desabrigados celebraram a Páscoa. Todo o país se voltou para a tragédia e Berlusconi assistiu à missa celebrada pelo arcebispo de Áquila, Giuseppe Molinari, em uma esplanada do quartel da Guarda de Finanças, e depois almoçou com os desabrigados em uma tenda de campanha.

 

Molinari, a quem o papa Bento XVI enviou uma quantia de dinheiro não especificada para ajudar os desabrigados, pediu a Berlusconi que mantenha as promessas. O premiê italiano disse que tirará as pessoas das tendas de campanha o mais rápido possível.

 

O governo estuda novas medidas a favor dos desabrigados, entre elas que os italianos possam destinar 0,5% de sua declaração do imposto de renda para ajudar os "terremotati", como as vítimas são chamadas. Também estuda outras medidas de alívio fiscal.

 

Neste domingo, no qual não há mais buscas de vítimas, morreu uma das 150 pessoas que ficaram gravemente feridas. Com a morte deste homem de 59 anos, subiu para 294 o número de mortos por causa do terremoto de 5,8 graus na escala Richter que atingiu a região na segunda-feira passada.

 

Investigação

 

Depois que tudo parece indicar que não há mais mortos sob os escombros, começou a investigação, por ordem da Procuradoria de Áquila, sobre o motivo de tantos desabamentos e se isso foi causado por uma má construção, sem o respeito às normas contra terremotos.

 

O jornal Corriere della Sera publicou na edição deste domingo, 12, que as suspeitas sobre anomalias nas construções tornaram-se realidade e os peritos nomeados pelo procurador descobriram que os pilares foram fabricados com uma quantidade de ferro menor que a determinada pela norma, e, por isso, não resistiram ao tremor da madrugada da segunda-feira.

 

Segundo os peritos, se as regras antissísmicas tivessem sido respeitadas, o número de edifícios que desabaram teria sido menor, assim como o de mortos. O procurador de L'Aquila, Alfredo Rossini, disse que, se ficar provado que os construtores usaram areia de praia - que custa muito menos, mas que, devido às impurezas e ao cloreto, corrói o ferro - serão detidos imediatamente.

 

Enquanto as investigações prosseguem, a terra voltou a tremer e foram registrados hoje dois terremotos de 3,1 graus na escala Richter, com epicentro entre Áquila, Pizzoli e Collimento.

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