Berlusconi diz que é o único que pode liderar a Itália

Sem imunidade, premiê diz que acusações são ''falsas' e que continua sendo o melhor governante da história

Efe, Reuters e Ansa,

09 de outubro de 2009 | 12h12

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, rejeitou nesta sexta-feira, 9, as sugestões de que deveria renunciar ao cargo pelo bem da imagem do país e afirmou que é a única pessoa qualificada para liderar o governo italiano neste momento. Segundo Berlusconi, ele é o melhor mandatário da história italiana.

 

Em sua primeira entrevista coletiva desde que a Justiça italiana revogou a polêmica Lei Laudo Alfano, que garantia imunidade judicial para as quatro maiores autoridades do Estado, e abriu caminho para a retomada dos processos de corrupção contra Berlusconi, ele afirmou que é o homem mais perseguido pelos juízes "em toda a história do mundo", mas que isso não o impede de ser também o melhor premiê.

 

Berlusconi assegurou que o mundo todo está contra ele e seu governo, exceto o povo italiano, a quem agradeceu o apoio que, segundo ele, lhe segue dando. Berlusconi disse que 68,7% dos italianos estão ao seu lado.

 

Sobre a possibilidade de deixar o poder por causa da queda da regulamentação, Berlusconi disse que é "o melhor premiê de sempre" e que "o governo segue em frente para trabalhar com mais determinação que antes". Berlusconi esclareceu ainda que já foi objeto de 106 processos, tendo sido sempre absolvido e voltou a afirmar que está disposto a ir à TV para provar sua inocência. Ele citou o fato de ser rico como uma sorte e revelou já ter gastado "mais de 200 milhões de euros para aconselhamento nos processos".

 

Após a revogação da lei, dois casos contra o premiê devem ser reabertos. Em um deles, Berlusconi é acusado de ter pago US$ 600 mil para o advogado britânico David Mills não revelar em julgamento detalhes sobre suas transações comerciais. Outro processo está relacionado com irregularidades na compra e venda de direitos de transmissão na TV pelo grupo de comunicação Mediaset, de propriedade de Berlusconi.

 

A decisão do tribunal de tirar a imunidade de Berlusconi foi o mais recente de muitos golpes que ele vem recebendo - o premiê está no centro de um escândalo sexual, segundo o qual ele teria realizado festas com garotas de programa. Berlusconi reconheceu que não é "nenhum santo", mas negou ter pago prostitutas para manter relações com ele.

 

Imprensa

 

Berlusconi afirmou que a imprensa estrangeira tem uma percepção "contrária à realidade" da situação atual no país. "A imprensa estrangeira, que tem relações apenas com jornais de esquerda italianos, vê esta situação italiana ao contrário da realidade. Nós lamentamos isto", disse Berlusconi na entrevista coletiva. "Porque em querer difamar o presidente do Conselho (de Ministros), se difamou a toda a democracia italiana. E isto, os italianos entenderam, e os que não entenderam, o entenderão", acrescentou.

 

Após insinuar a possível influência do presidente italiano, o ex-comunista Giorgio Napolitano, na decisão do Tribunal Constitucional e de falar de uma decisão "de esquerda" contra a lei de imunidade ("Lodo Alfano"), Berlusconi se apresentou como uma vítima da magistratura. "A perseguição naturalmente continua. Nunca imaginaria que um Tribunal Constitucional, órgão político composto por magistrados postos ali por três presidentes da República de esquerda, e os outros escolhidos pela política de esquerda, pudesse aprovar o 'Lodo Alfano'", disse o primeiro-ministro.

 

"Os italianos poderão entender como a esquerda não tem outros argumentos para o presidente do Conselho (de Ministros), nem o trabalho de seu extraordinário governo. Por isso, se junta à magistratura politizada, porque é a única arma que lhes resta para subverter o voto", disse o primeiro-ministro.

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