Berlusconi diz que liberdade de imprensa não é 'direito absoluto'

Após imprensa interromper atividades em protesto à 'lei da mordaça', premiê volta a atacar a esquerda e jornais

Efe

10 de julho de 2010 | 10h45

ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, voltou a atacar neste sábado a imprensa e a esquerda de seu país ao declarar que invocam a liberdade de imprensa como se fosse um "direito absoluto" e acrescentou que tais direitos "não existem" na democracia.

 

Veja também:

Imprensa italiana faz 'dia de silêncio' contra 'lei da mordaça'

 

Em mensagem à associação Promotores da Liberdade, pertencente ao seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), Berlusconi pediu a seus simpatizantes para que o ajudem a dar fim à "mordaça imposta à verdade" por uma imprensa alinhada com a esquerda e hostil ao Governo.

 

"Uma imprensa que desinforma, que não só distorce a realidade, mas também pisoteia sistematicamente no sagrado direito à privacidade dos cidadãos invocando a liberdade de imprensa como se fosse um direito absoluto. Mas na democracia não existem direitos absolutos, já que todos os direitos encontram um limite em outros direitos igualmente válidos", disse Berlusconi.

 

Ontem, parte dos veículos de comunicação da Itália interrompeu suas atividades como forma de protesto contra a 'lei da mordaça' proposta pelo Governo e que limita o uso e difusão de escutas telefônicas das investigações oficiais.

 

A maioria dos jornais italianos não saiu ontem, enquanto rádios e televisões não transmitiram noticiários.

 

A lei, que está em trâmite no Parlamento italiano, estabelece, entre outras medidas, penas de até 30 dias de prisão ou multas de até dez mil euros (US$ 12.600) para os jornalistas que publicarem escutas durante as investigações.

 

Em sua mensagem, Berlusconi também defendeu o plano de ajuste econômico proposto por seu Executivo, que prevê uma economia de quase 25 bilhões de euros (US$ 31,5 bilhões) para os próximos dois anos e que levantou muitas críticas entre políticos e a população.

 

O chefe do Governo italiano disse que se trata de uma medida "absolutamente necessária" que se ajusta ao pedido da União Europeia (UE) de reduzir o déficit público.

 

Berlusconi se mostrou otimista sobre a situação econômica na Itália ao afirmar que a "recuperação" está "confirmada" por todos os estudos estatísticos e se referiu a dados como o aumento de 0,5% na produção industrial durante o primeiro trimestre de 2010.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.