Berlusconi diz que não recuou de lei antiimigrantes

Premiê italiano afirma que declaração contra criminalização da imigração ilegal foi 'uma opinião pessoal'

Agências internacionais,

04 de junho de 2008 | 14h29

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou nesta quarta-feira, 4, que não voltou atrás sobre a intenção do seu governo de qualificar como delito a imigração ilegal, e que sua posição contrária, manifestada na terça, é somente "uma opinião pessoal". Desde que assumiu o governo em maio, Berlusconi vem endurecendo o discurso em relação aos imigrantes ilegais e às comunidades ciganas (romas). Na terça, Durante entrevista coletiva com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, Berlusconi afirmou que os estrangeiros em situação irregular não deveriam ser condenados simplesmente por ser imigrantes ilegais. Para o premiê, o status de ilegal deveria ser considerado um agravante caso o estrangeiro cometa um crime.  "Sobre a imigração, não voltei atrás. Expressei uma opinião pessoal, que já havia manifestado ao Conselho de Ministros", quando o projeto foi aprovado e que agora deve ser debatido no Parlamento, segundo assegurou Berlusconi durante coletiva de imprensa após se encontrar com o presidente egípcio, Hosni Mubarak. Segundo Berlusconi, a imprensa distorceu suas palavras e atuou em "má fé". O dirigente explicou seu "pensamento pessoal" e afirmou que uma normal que prevê a prisão, "para, por exemplo, 4 mil imigrantes que entram no país por dia, supõe que existem muitíssimos magistrados capazes de intervir e outras tantas detenções para alojá-los". "É uma coisa que não pode ser concretizada", adiantou Berlusconi, que reiterou que corresponderá ao Parlamento se expressar sobre o projeto de lei aprovado pelo governo e que contempla a introdução do crime de imigração clandestina. O projeto de lei, segundo fontes do Senado, afirma que os que entrarem na Itália de modo ilegal poderão ser condenados a penas de seis meses a 4 anos de prisão, que seria ampliada em um terço se o imigrante tiver cometido algum crime. Ele prevê ainda o confisco de apartamentos alugados para imigrantes ilegais, processo de expulsão mais rápido e extensão do tempo que os estrangeiros podem ficar presos nos centros de detenção. A Itália registrou no ano passado número recorde de entrada de imigrantes e tem hoje 3,5 milhões de estrangeiros. Vários setores da população, assim como em vários outros países europeus, se ressentem do aumento da competição por empregos, acusam os estrangeiros de serem responsáveis pelo aumento da criminalidade e, em alguns casos, vêem os imigrantes como uma ameaça a sua identidade nacional.

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