Berlusconi diz ter certeza absoluta da vitória eleitoral

Favorito ao cargo de premiê italiano afirma que tem pesquisas que garantem "absolutamente" pleito de domingo

REUTERS

09 de abril de 2008 | 11h00

O líder oposicionista italiano Silvio Berlusconi disse estar "100%" seguro de que vencerá a eleição parlamentar da próxima semana e rejeitou uma coalizão contra os partidos de centro-esquerda em caso de empate. "Considero um empate irrealista", disse Berlusconi nesta quarta-feira, 9, à TV pública RAI. "Temos pesquisas de opinião que garantem absolutamente nossa vitória."  Veja também: Berlusconi assume posições ''de esquerda''  A Itália proíbe a divulgação de pesquisas nas duas semanas prévias ao pleito, marcado para domingo e segunda-feira que vem. As mais recentes mostravam uma vantagem de 5 a 9 pontos percentuais para o magnata da mídia contra o ex-prefeito de Roma Walter Veltroni. Ambos prometem cortar impostos para estimular a economia, mas Berlusconi está confiante em conquistar eleitores irritados com os aumentos tributários ocorridos na gestão do esquerdista Romano Prodi.  Batendo na tecla do alívio tributário, o Il Giornale, propriedade do irmão de Berlusconi, publicou a seguinte manchete atribuída ao candidato: "Tenho uma idéia para a Itália: um mês sem impostos." O próprio Berlusconi admitiu, porém, que a proposta é sedutora, mas não é realista. "A idéia seria dar aos italianos, depois de tudo que sofreram sob Prodi, um mês sem impostos, o 'mês da liberdade"', disse ele em entrevista ao Il Giornale, na qual reiterou sua crença de que tem "100%" de chance de vitória.  "Provavelmente não seríamos capazes [de eliminar os impostos por um mês] porque custaria muito, mas pode-se ver que não carecemos de imaginação para resolver os problemas", disse o dirigente conservador.  Na última semana desta longa campanha, os dois lados abandonaram a retórica branda que dava a impressão de que seria possível a formação de uma coalizão de governo entre esquerda e direita. "Quem quer que ganhe, mesmo que por um só voto - esta é minha convicção, que eu quero salientar novamente, terá o dever e a honra de governar a Itália", disse o esquerdista Veltroni. Apesar da tranqüila liderança nas pesquisas, Berlusconi pode formar apenas uma estreita maioria, devido ao critério regional de distribuição de vagas no Senado, a exemplo do que já aconteceu com Prodi, cujo governo desmoronou por falta de apoio parlamentar depois de transcorridos apenas 20 meses de um mandato de cinco anos.  Direitistas mais bonitas O ex-premiê Silvio Berlusconi esquentou a campanha eleitoral com mais uma afirmação polêmica, ao dizer que "as mulheres da direita são certamente mais belas do que as da esquerda". Segundo a BBC, a declaração de Berlusconi provocou reação imediata das mulheres ligadas aos partidos de esquerda ou centro-esquerda na Itália.  "Berlusconi deveria aprender que o contrário da beleza é a vulgaridade", comentou Giovanna Melandri, ex-ministra do Esporte do governo de centro-esquerda liderado por Romano Prodi, que se demitiu em janeiro. No final de semana passado, durante uma visita à Sardenha, o ex-premiê já tinha feito comentários sobre o sexo feminino, ressaltando que o poder das mulheres "é dentro de casa". "A primazia feminina é dentro das paredes domésticas, mas fora de casa é discutível", afirmou o líder da coalizão de centro-direita, que já governou a Itália de 2001 a 2005.  As mulheres têm sido um dos alvos preferidos de Berlusconi, que tem 71 anos, nesta campanha eleitoral. No final de março, ao se encontrar com integrantes do Partido dos Aposentados, dirigiu-se às mulheres como sendo "a seção menopausa" do grupo. Poucas semanas antes, Berlusconi, que é o homem mais rico da Itália, sugeriu a uma jovem desempregada que ela se casasse com um rico, como seu filho, Piersilvio Berlusconi, para resolver seus problemas.  As mulheres da coalizão de centro-direita não têm reclamado das afirmações do ex-primeiro-ministro a respeito do sexo feminino. Nem mesmo quando ele disse a elas, em um congresso semanas atrás, que algumas "teriam que se preparar para cozinhar para os candidatos da coalizão".

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