Berlusconi enfrenta revés em eleições locais na Itália

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, parecia destinado a sofrer uma grande derrota eleitoral, já que os resultados de pesquisas de intenção de voto apontam na segunda-feira que ele e o seu partido de centro-direita devem perder várias cidades importantes, como a capital financeira do país, Milão.

SILVIA ALOISI, REUTERS

16 de maio de 2011 | 20h14

Com 33 por cento das urnas apuradas, a prefeita de centro-direita de Milão, Letizia Moratti, tinha 41,6 por cento dos votos, contra 48,1 por cento do rival de centro-esquerda, Giuliano Pisapia.

Berlusconi fez campanha agressiva para conseguir uma vitória absoluta na sua cidade natal e base de poder, que está sob controle da centro-direita por quase 20 anos. Assessores o descreveram como "surpreso e entristecido" com os resultados preliminares.

Se os números forem confirmados, isso significa que haverá segundo turno na cidade nos dias 29 e 30 de maio, o que dá à centro-esquerda uma melhor chance de vitória desde 1993 na cidade em que Berlusconi construiu o seu império nos negócios e lançou a sua carreira política.

Os números também provariam as pesquisas de opinião que apontaram queda na popularidade de Berlusconi por conta do escândalo sexual, julgamentos por corrupção e pela economia debilitada do país.

O seu principal aliado, a Liga do Norte, também teve desempenho muito pior do que o antecipado na sua própria terra natal.

Dados iniciais mostraram que a centro-esquerda dominou Turim e se encaminhava para uma vitória no primeiro turno em seu reduto em Bologna, enquanto o PDL, partido de Berlusconi, estava na frente em Nápoles.

As quatros cidades concentram as mais importantes disputas nestas eleições que englobam 1.310 cidades e 11 províncias, algo que está sendo visto como um teste crucial para Berlusconi, que está na metade de seu mandato.

"Os ventos do norte estão soprando contra o PDL e a Liga", disse Pierluigi Bersani, líder do maior partido de oposição, o PD.

Quase um quarto dos italianos pôde votar nas eleições de domingo e de segunda-feira. A participação foi um pouco menor do que no passado, mas ainda esteve alta em 71 por cento.

Quatro julgamentos ao mesmo tempo, incluindo um em que é acusado de pagar para fazer sexo com uma prostituta menor de idade, empurraram a taxa de aprovação de Berlusconi para 30 por cento, a menor desde que ele assumiu o poder pela terceira vez em 2008.

Ele compareceu ao tribunal na segunda-feira para participar de audiência sobre as acusações de suborno, enquanto a eleição acontecia. Berlusconi nega qualquer irregularidade e afirma que juízes tendenciosos estão tentando destruí-lo.

Além de seus problemas legais, ele também está sofrendo por não conseguir aumentar o baixo crescimento econômico da Itália.

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