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Berlusconi inaugura escola em tenda de acampamento

Premiê espera fim das barracas antes de outubro; país cria força para evitar que máfia se aproveite do desastre

Efe,

16 de abril de 2009 | 11h09

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou nesta quinta-feira, 16, esperar que todos os acampamentos em que estão os desabrigados pelo terremoto na região de Abruzzo sejam fechados antes que chegue o frio do outono (outubro no hemisfério norte. O premiê participou da inauguração da primeira escola aberta após o tremor na cidade de Poggio Picenze, na região de Abruzzo, devastada na semana passada por um terremoto.

 

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Berlusconi foi a Abruzzo junto com a ministra da Educação italiana, Mariastella Gelmini, para inaugurar oficialmente a escola, instalada em três tendas de campanha azuis com alguns vasos de flores, que abriga duas salas elementares mistas e uma de maternal. "A vontade do Executivo é que as primeiras famílias de desabrigados possam ter uma casa antes do verão (fim do ano)". "O governo não fará 'barracopólis' (cidades de barracões) nem 'tendópolis' (acampamentos de tendas de campanha) de longa duração", disse, acrescentando que, enquanto isso, o Executivo espera "encontrar alojamento em hotéis e nas casas oferecidas pelos italianos para todos os desabrigados".

 

O presidente italiano fez um balanço da catástrofe e disse que, dada a intensidade do terremoto, o número de vítimas fatais foi baixo. Além disso, avaliou em 50% os edifícios que terão que ser reconstruídos. O primeiro-ministro disse que "as necessidades dos moradores de Abruzzo, junto com a crise econômica mundial, são as principais preocupações do governo" neste momento.

 

Como exemplo deste compromisso, Berlusconi disse que o Executivo adiou algumas ações políticas que seriam muito favoráveis, como a de realizar o plebiscito sobre o sistema eleitoral, que seria um primeiro passo no caminho ao bipartidarismo na Itália. Para a reconstrução da região de Abruzzo, Berlusconi reiterou a possibilidade de que as empresas de construção de cada uma das províncias se encarreguem de uma obra concreta e, assim, se consiga "diminuir o tempo". Ele também garantiu o apoio do Estado aos que decidirem reconstruir ou reestruturar sua própria casa.

 

Máfia italiana

 

O procurador-geral antimáfia da Itália, Piero Grasso, anunciou a criação de uma "força especial" para evitar que os clãs mafiosos se infiltrem na reconstrução da região de Abruzzo, danificada pelo terremoto. O grupo será composto por magistrados e especialistas em crime organizado, que auxiliarão a Procuradoria de Áquila, capital de Abruzzo e cidade mais afetada pelo tremor.

 

Grasso disse que "o melhor" será envolver os habitantes das cidades atingidas na reconstrução, "já que os técnicos e os profissionais locais sentem a terra como própria e tendem a reconstruí-la da melhor maneira, a fim de evitar riscos futuros". Ele se declarou a favor de criar uma "lista" de empresas limpas para que participem da reconstrução. A legislação italiana já permite que se exija das empresas construtoras uma certidão "antimáfia".

 

O Presidente da comissão parlamentar antimáfia e ex-ministro do Interior, Giuseppe Pisanu, denunciou que o crime organizado "já se infiltrou" em Abruzzo para participar da reconstrução e "por isso é preciso proteger os investimentos públicos com uma ferrenha força especial". "A Cosa Nostra (máfia siciliana), a Ndrangheta (da Calábria) e a Camorra (napolitana) já chegaram a Abruzzo e certamente aspiram à reconstrução. É necessário proteger os investimentos públicos", afirmou.

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