Berlusconi não tem artefatos arqueológicos, diz advogado

Niccolo Ghedini diz que gravações são 'imaginárias' e que propriedade pode passar por busca a qualquer hora

Reuters,

25 de julho de 2009 | 10h19

O advogado do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, negou neste sábado, 25, que o premiê escondeu artefatos arqueológicos em sua mansão na Sardenha e disse que a suposta fita que tem uma gravação de Berlusconi contando o fato para uma prostituta é falsa, segundo informou a imprensa local.

 

As gravações, que seriam de Berlusconi e Patrizia D'Addario, foram publicadas na sexta-feira no site do jornal L'Espresso e mostravam o político bilionário falando sobre tumbas fenícias de 300 a.C. em sua residência.

 

De acordo com a lei italiana, descobertas arqueológicas em propriedades particulares devem ser notificadas ao Estado, que tem o dever de inspecioná-las, catalogá-las e possivelmente escavá-las. A oposição pediu ao governo que esclareça o caso no Parlamento.

 

"O primeiro-ministro Berlusconi jamais falaria sobre descobertas de 30 tumbas fenícias em sua propriedade, porque nada disso está ou já esteve na mansão", disse Niccolò Ghedini, o advogado do premiê, que também é um parlamentar do partido de Berlusconi. "Toda a área esteve sujeita a uma exaustiva busca judicial das autoridades há pouco tempo. Qualquer outra busca pode ser conduzida a qualquer hora", completou.

 

O advogado negou repetidamente a autenticidade da fita, dizendo que era um "produto da imaginação" e avisou que era ilegal publicá-las.

 

O bilionário premiê conservador de 72 anos, que costuma se gabar de sua capacidade sexual, recentemente tem protagonizado diversos escândalos nos últimos meses. Segundo Berlusconi disse em entrevistas anteriores, a Patrizia realmente foi à sua casa, mas disse que não sabia que ela era prostituta, e garante nunca ter pago para fazer sexo.

 

Na quarta-feira, porém, Berlusconi admitiu que não é "nenhum santo", embora tenha prometido cumprir seu mandato até o final, em 2013.

 

Em sua última edição, o semanário L'Espresso saiu com o título "Sex and the Silvio" na capa. A revista diz que os políticos se perguntam se "ele ainda pode governar o país".

 

Embora Berlusconi tenha tentado minimizar a polêmica, suas possíveis repercussões são inegáveis. Uma pesquisa divulgada na terça-feira mostrou que sua popularidade caiu abaixo de 50 por cento pela primeira vez desde sua vitória eleitoral do ano passado.

 

Berlusconi perdeu quatro pontos percentuais de aprovação desde maio, quando sua esposa pediu divórcio, farta das revelações sobre a vida pessoal dele.

 

Em entrevista à TV Repubblica, o líder oposicionista Dario Franceschini disse que o enfraquecimento de Berlusconi é "um fato objetivo", e que ele vê possibilidade de que o atual governo caia ainda neste ano.

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