Berlusconi pediu para 'apalpar' voluntária após terremoto

Incidente com o premiê italiano foi divulgado diante da polêmica sobre o pedido de divórcio de sua mulher

Efe,

06 de maio de 2009 | 09h00

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, perguntou a uma voluntária se podia "apalpá-la um pouco" ao posar para uma foto com ela no último dia 25 durante uma visita à região de Abruzzo, afetada por um grande terremoto em abril, segundo uma filmagem captada pela rede de televisão local TCA Trentino TV.

 

A voz de Berlusconi - "Posso apalpar um pouco a senhora?"- é ouvida nitidamente entre os escombros de uma igreja, pouco antes de tirar a foto com bombeiros e membros de Defesa Civil, segundo a gravação divulgada pelo restante da imprensa italiana. O primeiro-ministro encostou a mão nas costas da mulher, Lia Giovanazzi Beltrami, de 41 anos, dois filhos e voluntária da Solidariedade Internacional que, usando um capacete - como Berlusconi -, posou para a foto, após a qual o grupo se dissolveu.

 

 

Lia confirmou o incidente e assegurou que ficou "enojada pela frase" e que preferiu "não falar então porque era importante falar a favor das pessoas afetadas pela tragédia", segundo o jornal Corriere della Sera.

 

Tom similar foi utilizado pela diretora da Trentino TV, Marilena Guerra. "Preferimos não transmitir (então) as imagens porque a prioridade era o terremoto, e exibi-la desviaria a atenção dos espectadores", argumentou. O incidente foi divulgado diante da polêmica que explodiu na Itália pelo pedido de divórcio de Veronica Lario, mulher de Silvio Berlusconi, farta de comportamentos que "ofendem" sua dignidade de mulher.

 

Divórcio espetáculo

 

O ministro do Vaticano para as relações inter-religiosas, cardeal Walter Kasper, disse que o processo de divórcio do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, não pode se transformar em um "espetáculo midiático". As críticas de Kasper, em entrevista ao jornal La Stampa, surgiram após o comparecimento de Berlusconi na noite de terça-feira, 5, a um programa de TV, no qual rebateu as acusações de sua esposa, Veronica Lario, que optou nos últimos dias pela separação.

 

"Neste caso (Berlusconi-Veronica) teria sido melhor que os dois cônjuges dessem mais importância à privacidade", afirmou o cardeal, que acrescentou que "os litígios públicos para se separar são um sofrimento suplementar e um mau exemplo, especialmente para os jovens". Acrescentou que "a seriedade e a sobriedade deveriam ser a unidade de medida fundamental para todos, mas principalmente para um chefe de governo".

 

Silvio Berlusconi, de 72 anos, retornou na terça de sua residência em Milão, onde não conseguiu convencer Veronica Lario a desistir do divórcio, e em um programa da emissora de TV RAI1 pediu que ela "admita seus erros", porque "caiu em uma armadilha". O premie italiano alegou que não se envolve com mulheres mais jovens, e reafirmou que é vítima de ataques da "imprensa de esquerda", de onde partem todas as "mentiras".

 

Verónica Lario, de 53 anos, decidiu pedir o divórcio depois da polêmica gerada com a decisão de Berlusconi de incluir jovens atrizes e modelos italianas nas listas de seu partido para as eleições europeias. Além disso, Veronica se mostrou incomodada com o que ela considerou como flertes do premiê em aparições em programas de TV ao lado de mulheres mais jovens.

 

Segundo a imprensa italiana, a mulher de Berlusconi não assistiu a suas justificativas no programa de TV. A advogada de Veronica , Maria Cristina Morelli, assegurou que ela quer trabalhar de forma serena "em harmonia" e com a "máxima correção" no caso do divórcio.

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