Berlusconi presta juramento para 3.º mandato como premiê

Primeiro-ministro italiano promete modernização e forma um dos gabinetes mais direitistas desde a 2ª Guerra

Efe e Reuters,

08 de maio de 2008 | 14h42

O primeiro-ministro italiano eleito, o conservador Silvio Berlusconi, e os ministros que integram seu gabinete assumiram nesta quinta-feira, 8, seus cargos diante do presidente do país, Giorgio Napolitano, 25 dias após as eleições gerais de 13 e 14 de abril.   Veja também: Berlusconi renuncia à Presidência do Milan   Com plenos poderes, Berlusconi anunciou que o primeiro conselho de ministros será realizado em Nápoles, como prometeu durante a campanha eleitoral para simbolizar o apoio do Executivo à região de Campânia para acabar com a crise do lixo.   Berlusconi, de 71 anos, foi o primeiro a prestar juramento de fidelidade à Constituição, seguido por nove ministros sem pasta, liderados pelo de Relações com o Parlamento, Elio Vito, e o de Reformas, Umberto Bossi, líder da Liga Norte. Depois foi a vez dos 12 ministros com pasta, começando pelo de Relações Exteriores, Franco Frattini.   Após o juramento do governo, o próximo passo será receber, na próxima semana, o voto de confiança da Câmara dos Deputados e do Senado, que se dá por certo, já que a coalizão conservadora formada por Povo da Liberdade, Liga Norte e Movimento pela Autonomia obteve a maioria absoluta nas duas Câmaras.   Apesar de Berlusconi ter alertado que os próximos anos serão difíceis para a Itália e que, por isso, terá de implementar reformas impopulares, seu discurso antes da posse foi otimista. "Estamos em um período de lua de mel", disse Berlusconi, dizendo que pretende dar continuidade ao trabalho interrompido em 2006, quando não conseguiu ser reeleito. Ele também foi primeiro-ministro de 1994 a 1995. "Temos 100 dias para evitar a decepção daqueles que depositaram sua fé em nós e cinco anos para mudar e modernizar este país", afirmou ele, segundo o jornal La Stampa.   Berlusconi promete combater o crime, reprimir a imigração ilegal e limpar o lixo que paralisa as ruas de Nápoles. Outra dor de cabeça é evitar que a companhia área estatal Alitalia vá à falência. Para isso, é preciso encontrar um comprador com bastante dinheiro.   O gabinete de Berlusconi está repleto de aliados direitistas da Aliança Nacional (AN), partido com raízes fascistas, e da Liga do Norte, que se opõe fortemente à imigração - a combinação permite antever que as políticas imigratória e de segurança serão mais pesadas. Entre os aliados está Roberto Calderoli, dissidente da Liga do Norte, conhecido pela retórica anti-islâmica. Ele causou revolta na Líbia, ao usar uma camiseta com a charge dinamarquesa sobre o profeta Maomé.   Um dos conselheiros mais próximos de Berlusconi, Giulio Tremonti, volta ao terceiro mandato como ministro da Economia. Ele tem, portanto, um grande desafio pela frente: consertar a economia italiana, cortando o déficit no orçamento e implementando uma ambiciosa supervisão de impostos. O novo ministro da Previdência, Maurizio Sacconi, que, como Tremonti, é do mesmo partido de Berlusconi, o Forza Itália, disse que sua prioridade seria aumentar o poder de compra dos trabalhadores italianos afetados pela alta nos preços de alimentos básicos, como pão e massa.

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