Berlusconi promete combater crime e incentivar economia

O empresário Silvio Berlusconi prometeu naterça-feira usar sua vitória folgada nas eleições gerais paraaprovar reformas econômicas e fechar as fronteiras aosimigrantes ilegais como forma de combate a criminosos queacusou de formarem um "exército do mal". O político conservador, 71, conquistou seu terceiro mandatocomo primeiro-ministro, mas dependerá do apoio do partidoxenófobo Liga do Note, que obteve 8 por cento dos votos, parater uma bancada majoritária no Parlamento. Em comentários que devem agradar à Liga, Berlusconiprometeu adotar medidas duras de combate à criminalidade,atribuída por muitos italianos aos imigrantes ilegais, bem comosalvar a companhia aérea Alitalia e resolver a crise do lixo emNápoles. "Uma das primeiras coisas a serem feitas é fechar asfronteiras e criar mais campos para identificar os cidadãosestrangeiros que não possuem emprego e que são obrigados aingressar na vida criminosa", disse Berlusconi. "Em segundo lugar, precisamos de mais policiais formando um'exército do bem' nas praças e nas ruas para que protejam opovo italiano do exército do mal", afirmou ele em entrevistaconcedida a um canal de TV. Berlusconi, um convicto aliado dos Estados Unidos nachamada "guerra contra o terror" quando estava no poder,recebeu uma ligação do presidente norte-americano, George W.Bush, felicitando-o pela vitória nas eleições, realizadas nodomingo e na segunda-feira. "O presidente aguarda ansiosamente para trabalhar novamentecom ele", disse Dana Perino, porta-voz da Casa Branca. Mas agências de avaliação de crédito disseram-sepreocupadas com Berlusconi, cujo governo entre 2001 e 2006assistiu a uma reversão na tendência de queda do déficitpúblico na Itália, o terceiro maior do mundo. Apesar de muitos italianos estarem desiludidos com apolítica e duvidarem da capacidade do governo de sanarrapidamente os problemas da quarta maior economia da UniãoEuropéia (UE), o fato de o novo dirigente ter obtido um bomdesempenho nas urnas o ajudará a verem aprovadas reformas noParlamento. "O resultado é uma boa notícia: o poder de chantagem dospartidos menores reduziu-se drasticamente e a Itália está hojemais próxima da experiência de vários outros países europeus",disse o economista Marco Valli, do banco UniCredit. O Parlamento viu-se livre de partidos anões que antesmantiveram coalizões governistas reféns e agora contará apenascom seis legendas (ao contrário das 20 presentes depois daeleição de 2006). Romano Prodi anunciou sua saída do cargo deprimeiro-ministro no dia 20 de janeiro após um pequeno partidocatólico haver se retirado da coalizão liderada por ele. "Agora, governaremos como as grandes democraciasocidentais, com um grande partido no poder e um grande partidona oposição", afirmou Berlusconi. Durante sua campanha, o político prometeu cortar osimpostos incidentes sobre a primeira moradia e sobre fontesextras de renda a fim de ajudar os consumidores e incentivar ocrescimento da economia. Berlusconi, no entanto, fracassou outras vezes ao tentarimplementar reformas de peso e controlar os gastos públicos. Do pleito, saiu como terceira maior força do Parlamento aLiga do Norte. Já as legendas de esquerda perderam muito espaçoe, pela primeira vez na memória recente do país, o órgãoitaliano não contará com a presença de ao menos um parlamentarsocialista ou comunista. (Reportagem adicional de Valentina Za)

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