Berlusconi propõe 'plano de crescimento' em meio a escândalo

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, cujo governo conservador está por um fio após uma série de escândalos, disse na segunda-feira que apresentará em fevereiro um plano destinado a triplicar a taxa de crescimento econômico do país num prazo de cinco anos.

SILVIA ALOISI, REUTERS

31 de janeiro de 2011 | 18h05

Em nota, Berlusconi disse que a meta é alcançar um crescimento de 3 a 4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), algo que a Itália não registra há mais de uma década. Para 2011, a previsão do governo é de um crescimento de 1,3 por cento.

O premiê, que escapou por pouco de um voto de desconfiança no Parlamento em dezembro, se vê agora envolvido em um escândalo sexual, e muitos comentaristas dizem que o país pode ir às urnas nos próximos meses.

Berlusconi prometeu reduzir a burocracia e oferecer benefícios tributários ao sul da Itália, a região mais pobre do país, e disse que no mês que vem o governo irá discutir com patrões e sindicalistas formas de estimular o crescimento.

"Precisamos libertar a Itália definitivamente de uma mentalidade de bem-estar social e setor público, que está deprimindo o desenvolvimento, atrofiando os investimentos e a criatividade dos mercados, destruindo as riquezas e o trabalho e ameaçando o futuro das novas gerações", disse ele em nota.

Segundo cálculos da revista Global Finance, com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Itália teve a quarta economia mais letárgica entre 2000 e 2010, atrás apenas de Zimbábue, Eritreia e Haiti. Berlusconi governou a Itália durante sete anos desse período.

A Itália tem também um dos maiores endividamentos da zona do euro, podendo chegar a 119 por cento do seu PIB em 2011.

Num gesto excepcional de conciliação, Berlusconi convidou o principal partido de oposição para cooperar num plano de crescimento econômico, que incluiria isenções fiscais para empresas.

O bloco de centro-esquerda reagiu com firmeza à repentina oferta de Berlusconi, dizendo que ela parecia um gesto desesperado para desviar a atenção em relação aos escândalos sexuais. O premiê disse mais tarde que essa reação mostra a irresponsabilidade da oposição.

"Berlusconi não é bom nem mais na propaganda. A única coisa útil que ele pode fazer pela Itália é renunciar", disse Stefano Fassina, dirigente do Partido Democrático para questões econômicas.

Berlusconi é suspeito de ter tido envolvimento com prostitutas, inclusive menores de idade, algo que ele nega, dizendo-se vítima de uma perseguição de juízes de esquerda.

(Reportagem adicional de Antonella Ciancio)

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