Berlusconi será premiê da Itália pela terceira vez

O conservador foi eleito com uma votação acima do previsto

REUTERS

14 de abril de 2008 | 19h00

O conservador Silvio Berlusconi foi eleito na segunda-feira, 14, para governar a Itália pela terceira vez, com uma votação acima do previsto, mas alertou que há tempos difíceis pela frente.     Veja também:  Pesquisa aponta vitória apertada de Berlusconi na Itália Veltroni admite derrota em eleição italiana Eleições italianas para premiê entram em seu segundo dia Após 2 anos, Itália volta às urnas desiludida  Seu adversário de centro-esquerda, Walter Veltroni, admitiu a derrota quando os primeiros resultados dos dois dias de votação mostraram que o magnata das comunicações, de 71 anos, terá maioria na Câmara e no Senado. Mas muitos italianos estão decepcionados com a política e duvidam que qualquer governo possa curar rapidamente os males da quarta maior economia da União Européia. "Os meses e anos pela frente serão difíceis", disse Berlusconi por telefone à RAI, numa entrevista em que prometeu resolver rapidamente duas graves crises políticas da atualidade, a chamada "crise do lixo" e a situação da Alitalia. Os sindicatos do setor impedem a compra da deficitária companhia aérea do país, e até pouco antes da eleição havia lixo acumulado por meses nas ruas de Nápoles. Durante a campanha, Berlusconi prometeu cortar impostos e controlar a dívida pública. Já se esperava que ele fizesse maioria na Câmara, mas a vitória no Senado era dúvida. Projeções baseadas em resultados parciais dão uma vantagem de 99 deputados entre os 630 integrantes da Câmara, e até 30 parlamentares de vantagem no Senado, que tem 315 ocupantes eleitos e 7 vitalícios. O atual premiê, Romano Prodi, tinha apenas 2 senadores de vantagem, até que em janeiro perdeu a maioria e renunciou, depois de cumprir apenas 20 meses do mandato de cinco anos. Berlusconi torcia publicamente para fazer uma maioria de 20 senadores. Veltroni, 52 anos, ex-prefeito de Roma, telefonou a Berlusconi para "lhe desejar sorte". O seu Partido Democrático teve um bom desempenho, mas os esquerdistas radicais que eram aliados de Prodi correm o risco de ficar sem representação parlamentar. Críticos dizem que Berlusconi deixou de cumprir as promessas que lhe tornaram primeiro-ministro por sete meses em 1994 e entre 2001 e 2006. A Liga Norte, partido xenófobo de ultra-direita, aliado de Berlusconi, teve um bom desempenho, e seu líder Umberto Bossi deve ter influência no novo governo. A eleição pode marcar um divisor de água, pois poucos partidos conseguiram representação -- na última eleição, mais de 20 bancadas se formaram. O líder democrata-cristão Pierferdinando Casini disse que a próxima legislatura deve ter apenas cinco partidos. O analista político Roberto D'Alimonte afirmou que isso vai fazer da Itália um país europeu "normal", "com apenas dois partidos principais concentrando cerca de 70 por cento dos votos". A economista Silvia Pepino, do JP Morgan, disse que os problemas econômicos italianos são "muito antigos e arraigados e é difícil ver quaisquer progressos em curto prazo qualquer que seja o resultado da eleição". Berlusconi domina a mídia italiana por meio do conglomerado Mediaset, que controla inclusive a maior TV privada do país. A revista Forbes o aponta como o terceiro homem mais rico do país. (Reportagem adicional de Iain Rogers, Phil Stewart, Deepa Babington e Marie Louise Gumuchian em Milão)

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