Bersani e Berlusconi se reúnem em busca de fim do impasse italiano

O líder centro-esquerdista italiano Pier Luigi Bersani se reuniu na terça-feira com seu rival de centro-direita Silvio Berlusconi parra discutir a eleição do próximo presidente da República, o que seria um passo importante para a solução do impasse causado pelas inconclusivas eleições de fevereiro.

STEVE SCHERER, Reuters

09 de abril de 2013 | 20h11

"Foi uma boa reunião, mas estamos no começo", disse Enrico Letta, vice-líder do Partido Democrático (PD, de Bersani), a jornalistas no Parlamento.

Ele disse que a reunião abordou exclusivamente a questão do próximo presidente, e não um acordo que leve à formação de um governo. Nos 40 dias transcorridos desde a eleição, os partidos não conseguiram superar suas divergências e formar uma coalizão.

Letta disse que haverá nos próximos dias novas reuniões com o partido Povo da Liberdade (PDL, de Berlusconi) e com outros partidos. Ele disse que nenhum nome foi discutido na terça-feira, quando a conversa girou em torno dos preparativos para o início do processo de eleição indireta do presidente, em 18 de abril.

O mandato do atual presidente, Giorgio Napolitano, termina em 15 de maio, e a escolha do sucessor será um novo teste para o Parlamento, que está dividido em dois blocos tradicionais de centro-esquerda e centro-direita, mais a bancada do partido alternativo Movimento 5 Estrelas.

Não está claro até que ponto um acordo sobre a eleição presidencial facilitará a definição de uma coalizão para governar, mas o tom adotado pelos políticos após a reunião foi bem mais cordial do que em dias anteriores.

"Foi útil ter clareza acerca dos critérios dos quais precisamos antes de concordarmos com uma gama de nomes, e então a respeito da pessoa que pode unir o país", disse Letta.

"Num momento de grande divisão, sentimos uma forte necessidade de dar um sinal de unidade ao país. É por isso que queremos encontrar unidade em torno de um nome que ambos possamos apoiar", afirmou.

O secretário-geral do PDL, Angelino Alfano, divulgou nota dizendo que o novo presidente precisa ser aceitável ao seu partido, embora ele não tenha repetido as exigências anteriores de Berlusconi para que o chefe de Estado seja definido pela centro-direita.

"O presidente deve representar a unidade nacional e não pode, portanto, ser nem parecer ser hostil a uma parte significativa do povo italiano."

O PD formou a maior bancada na eleição de fevereiro, mas não conseguiu maioria no Senado, e por isso precisaria formar uma coalizão. Mas Bersani rejeita qualquer aliança com Berlusconi, e foi esnobado pelo líder do 5 Estrelas, o comediante Beppe Grillo.

Isso abre a perspectiva de que a Itália precise repetir as eleições. Mas um presidente em final de mandato, como Napolitano, não tem poder para convocar uma nova votação - só o sucessor dele poderia fazer isso, o que torna ainda mais crucial a definição do novo presidente.

(Reportagem adicional de Roberto Landucci)

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