Betancourt pode estar menos doente do que se pensava, diz França

Ingrid Betancourt, a mais conhecidadentre os reféns mantidos sob o poder das Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc), pode não estar tão doentequanto cogitado anteriormente, mas o governo francês ainda querque um médico a veja, disse na segunda-feira o ministro dasRelações Exteriores da França. O país europeu enviou uma missão médica de emergência paraa Colômbia tentando ter acesso a Betancourt, a cidadãfranco-colombiana sequestrada pelas Farc há seis anos. Atéagora, o governo francês não recebeu autorização da guerrilhapara visitar o local onde ela é mantida refém. Betancourt, ex-candidata à Presidência da Colômbia, foicapturada pelas Farc quando fazia campanha, em fevereiro de2002. A França disse que a refém está muito doente, sofrendo dehepatite e de outros males. E o filho dela afirmou que sua mãemorrerá dentro de alguns dias se não receber uma transfusão desangue. "Temos a impressão não apenas de que ela está viva, mas deque o estado dela é melhor do que foi dito. No entanto, eupoderia estar enganado", afirmou o ministro francês dasRelações Exteriores, Bernard Kouchner, ao canal de TV LCI. "De qualquer forma, estamos nos empenhando ao máximo paralibertá-la imediatamente", disse, acrescentando que o estado desaúde de Betancourt deve ter piorado. Não foi revelada a fontedessa informação. Kouchner, porém, afirmou que a França continuaria com seusesforços para ter acesso à refém: "Não vamos sair dali depoisde 24 horas de tentativas. Estamos aguardando por esse sinaldas Farc". Um avião francês com a equipe médica a bordo aterrissou naColômbia na quinta-feira e continua estacionado na pista de umabase militar de Bogotá. A missão teria partido sem que houvessesido firmado um acordo prévio com as Farc garantindo que osmédicos veriam Betancourt. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, cuja neutralidadeoficial mostrou-se um fator fundamental nas operaçõesanteriores envolvendo os reféns mantidos pelas Farc, disse nasegunda-feira não ter mantido nenhum contato com representantesdos rebeldes a respeito da missão francesa. "Estive em contato com um guerrilheiro capturadorecentemente, e ele me disse que ela não parece ter hepatite,mas que apresenta uma amebíase. Ela tem dores de barriga e estávomitando. E, evidentemente, está deprimida e ansiosa", afirmoua mãe de Betancourt, Yolanda Pulecio, a uma rádio peruana. "Isso me deixa, de certa forma, um pouco mais aliviadaporque a hepatite seria mais grave. Tenho certeza de queconseguiremos superar isso em breve", acrescentou. Betancourt e três prestadores de serviço do governonorte-americano sequestrados em 2003 incluem-se entre os 40reféns importantes que as Farc desejam trocar por guerrilheirospresos. O grupo, a maior e mais antiga guerrilha da América Latina,vem perdendo terreno em meio às operações militarespatrocinadas pelos EUA e realizadas pelo atual governocolombiano. Mas as Farc, que teriam envolvimento no tráfico de cocaína,continuam a ter muita força em áreas rurais afastadas onde apresença do Estado é ainda débil. Neste ano, em meio a acordosmediados pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o grupolibertou seis reféns. (Reportagem de Francois Murphy em Paris, Marco Aquino emLima e Patrick Markey em Bogotá)

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