Blair é contratado como assessor político de banco americano

Especula-se que o salário do ex-premiê britânico no JP Morgan pode ultrapassar US$ 1 milhão ao ano

Efe,

10 de janeiro de 2008 | 10h01

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair foi contratado como assessor político em tempo parcial pelo banco americano JP Morgan, em sua constitui sua primeira nomeação para um cargo numa empresa privada. Blair, que depois de deixar Downing Street em junho foi nomeado enviado especial para o Oriente Médio do Quarteto (Estados Unidos, União Européia, Rússia, Nações Unidas), colocará sua experiência e seus contatos políticos a serviço do banco americano, informou nesta quinta-feira, 10, a imprensa britânica.   Embora o JP Morgan não tenha revelado o novo salário do ex-dirigente do Reino Unido, especula-se que o valor ultrapassará US$ 1 milhão ao ano. Em declarações dadas ao jornal Financial Times, Blair explicou que aguarda novas propostas de outras companhias de diferentes setores da economia.   "Sempre me interessei pelo comércio e pelo impacto da globalização", afirma. De acordo com o trabalhista, "atualmente o cruzamento entre a política e a economia em diferentes partes do mundo, inclusive nos mercados emergentes, é muito forte".   Desde que deixou o cargo de primeiro-ministro na metade de seu terceiro mandato, Blair se dedica a dar palestras generosamente remuneradas em diversos países do mundo. Na China, ele recebeu recentemente US$ 500 mil por apenas uma palestra.   O ex-dirigente britânico, que há pouco tempo se converteu do anglicanismo ao catolicismo, planeja lançar este ano uma fundação para o diálogo entre as religiões e também quer trabalhar na luta contra a mudança climática.   Por outro lado, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, teve a idéia de lançá-lo como candidato à Presidência da União Européia (UE). Em vários setores existe forte oposição à proposta, já que muitos não esquecem sua atuação na invasão do Iraque com os Estados Unidos de George W. Bush.   Segundo o Financial Times, sua contratação pelo banco JP Morgan foi negociada pelo advogado americano Robert Barnett. De acordo com Barnett, quando Blair deixou o cargo à frente do governo britânico, várias companhias, entre elas "mais de meia dúzia" do setor de serviços financeiros, fizeram contato com ele para negociar seus serviços.   O presidente-executivo do JP Morgan, Jamie Dimon, um dos democratas mais destacados em Wall Street, se encontrou pessoalmente com Blair e os dois chegaram a um acordo rapidamente. Por seu cargo de enviado do Quarteto para o Oriente Médio, Blair não recebe nenhum salário, embora Londres tenha doado cerca de US$ 800 mil a um fundo da ONU que oferece apoio "técnico e operacional" ao escritório permanente que o ex-primeiro-ministro mantém em Jerusalém.

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