Blair mentiu sobre guerra no Iraque, diz ex-ministra britânica

A ex-ministra Clare Short acusou Tony Blair de mentir sobre a invasão do Iraque em 2003 e de reprimir o debate dentro do governo britânico no período que antecedeu a guerra.

MICHAEL HOLDEN, REUTERS

02 de fevereiro de 2010 | 14h48

Short -- crítica de longa data de Blair, que chefiou a Secretaria de Desenvolvimento Internacional durante o governo dele -- contestou o depoimento fornecido pelo ex-primeiro-ministro na semana passada em um inquérito sobre a guerra.

Short votou em favor da invasão de 2003, mas deixou o governo Blair pouco depois, porque disse que Blair a "enganou", levando-a a pensar que a Organização das Nações Unidas (ONU) poderia exercer um papel importante no Iraque pós-guerra.

Na sexta-feira passada, Blair saiu em defesa de sua decisão de ir à guerra, dizendo ao inquérito que Saddam Hussein representava uma ameaça ao mundo e devia ser desarmado ou deposto. Ele afirmou que houve "debates substanciais" com os principais ministros de governo.

Short, porém, disse no inquérito de Chilcot, que investiga o papel da Grã-Bretanha na guerra e suas consequências, ter sido excluída das conversações e que Blair não queria que a questão do Iraque fosse discutida no governo, porque temia vazamentos para a imprensa.

"Além disso, houve dissimulação e decepção", afirmou ela. "As comunicações normais estavam sendo fechadas."

Ela acusou Blair de estar "desesperado" para apoiar os Estados Unidos e afirmou que as alegações de que os franceses teriam vetado uma segunda resolução da ONU autorizando ação militar foram falsas.

"No meu ponto de vista, aquilo foi uma mentira, uma mentira deliberada", afirmou ela.

Ela disse que o atual primeiro-ministro, Gordon Brown, ministro das Finanças à época, foi colocado à margem.

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