Blindados russos tomam parte de capital separatista na Geórgia

Tanques invadem país em defesa de província separatista; EUA apóiam integridade territorial e mandam mediador

Agências internacionais,

08 de agosto de 2008 | 12h29

A Geórgia perdeu o controle de parte de Tskhinvali, capital da província separatista da Ossétia do Sul, para as forças russas, cujo governo apóia os ebeldes, admitiu um porta-voz do governo georgiano nesta sexta-feira, 8. Segundo os separatistas da ex-república soviética, veículos armados russos entraram nos subúrbios da cidade e mais de mil pessoas foram mortas desde o início da ofensiva do governo na região. Porém, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, afirmou que suas tropas mantém o controle de quase toda a província, inclusive da capital, e que 30 pessoas morreram em combates.  Veja também:Rússia invade Geórgia em defesa de separatistasProvíncia diz que ataques mataram mais de milONU diz que milhares fugiram para a RússiaEntenda o conflito separatista na Geórgia e a relação russaAssista ao vídeo no Youtube   Professor comenta a situação no Cáucaso   As informações sobre o conflito eram contraditórias, e não era possível determinar se forças russas ou georgianas detinham o controle da capital de Ossétia do Sul. Nesta madrugada (horário local), o governo da Geórgia lançou uma grande operação militar contra a província separatista da Ossétia do Sul, que faz fronteira com a Rússia, para retomar o controle da província rebelde estreitamente identificada com a Rússia. A ação provocou a retaliação de Moscou, que enviou 150 tanques e tropas para a região. Testemunhas afirmam que a cidade está devastada. A Geórgia é um grande aliado dos EUA e atualmente tem cerca de 2 mil soldados no Iraque, mas metade deles deve voltar ao país por causa dos conflitos ainda neste sábado. "As forças armadas russas estão bombardeando Tskhinvali com tanques e aviões," disse Shota Utiashvili, porta-voz do Ministério de Interior da Geórgia. "Nós perdemos o controle de partes da cidade", acrescentou. Segundo o presidente da região separatista, Eduard Kokoity, cerca de 1.400 pessoas morreram devido à "agressão georgiana". "Nós vamos checar esses números, mas eles estão por volta disso. Nós temos essa informação com base nos relatos de parentes", disse , segundo a agência Interfax. O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que não permitirá a "morte impune" de cidadãos russos e advertiu que os culpados serão castigados, durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia. "Não permitiremos a morte impune de nossos compatriotas. Os culpados receberão o merecido castigo", advertiu. A Rússia ainda vai cortar todas as suas ligações aéreas com a Geórgia a partir da meia-noite de sexta-feira, disse uma porta-voz do Ministério dos Transportes russo.  Segundo agências de notícias, Igor Konashenkov, vice-comandante das forças terrestres, disse que mais de dez membros da força de paz russa foram mortos nos combates em Tskhinvali. "Como resultado do bombardeio georgiano, mais de 10 membros de nossas forças de paz foram mortos e 30 ficaram feridos". O presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, disse, segundo a agência Interfax, que centenas de civis foram mortos nos combates da capital da região.  O presidente georgiano disse em entrevista à CNN que a Rússia está travando uma guerra contra seu país. "Temos tanques russos entrando. Temos bombardeios russos contínuos desde ontem.. especialmente, contra a população civil", disse Saakashvili à CNN. "A Rússia está lutando uma guerra contra nós em nosso próprio território", acrescentou. "Estamos nessa situação de legítima defesa contra um vizinho grande e poderoso. Somos um país com menos de 5 milhões de pessoas e, certamente, nossas forças são incomparáveis (com as da Rússia)", disse o presidente. Saakashvili também disse que é do interesse dos Estados Unidos ajudar a Geórgia. "Não é mais sobre a Geórgia. É sobre a América, são valores", disse ele. "Somos uma nação que ama a liberdade e que agora está sob ataque."  Após a reunião da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), a Rússia reiterou que  não está em guerra com a Geórgia, como denuncia Tbilisi. Ao deixar o encontro, o chefe da missão permanente da Rússia perante a OSCE, Vladimir Voronkov, assegurou: "Isto não é nenhum conflito entre Rússia e Geórgia, é algo que rejeito categoricamente".  No entanto, o representante georgiano, Victor Dolidze, acusou a Rússia de apoiar militarmente os separatistas e disse que espera que a comunidade internacional pressione Moscou para conseguir o fim da "intervenção". "A Geórgia se encontra em uma situação de defesa própria", disse Dolidze, que negou que o Exército do país tenha desdobrado uma ofensiva militar na Ossétia do Sul. "Não é uma ação militar, é uma operação anti-criminosa, para proteger nossos civis pacíficos, tanto georgianos quanto ossétios", afirmou.  Posição americana O porta-voz do comando americano na Europa, coronel John Dorrian, afirmou que as forças militares americanas na Geórgia não participam de forma alguma no conflito. Por meio do seu porta-voz, a Casa Branca afirmou que apóia a integridade do território da Geórgia e pediu pelo cessar-fogo imediato. Gonzalo Gallegos disse ainda que Washington mandará um enviado para mediar o conflito na região. A Geórgia é o terceiro mais provedor de tropas da coalizão americana no Iraque, e os EUA mantém um programa de treinamento das tropas georgianas. O Pentágono disse que está monitorando os acontecimentos na Geórgia, mas não recebeu um pedido de assistência das autoridades georgianas desde que as forças russas adentraram o país. "Estamos monitorando (a situação) de perto", disse a repórteres Bryan Whitman, porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. "Tivemos algum contato com as autoridades georgianas", acrescentou Whitman. Perguntado se houve um pedido de ajuda, ele respondeu: "não".  O Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) realizará nesta sexta-feira uma reunião de emergência para discutir a escalada do conflito na província separatista georgiana da Ossétia do Sul, informou um diplomata belga. A reunião foi convocada a pedido da Geórgia, disse Peter van Kamseke, porta-voz do embaixador da Bélgica na ONU, Jan Grauls. A Bélgica ocupa este mês a presidência de turno do CS da ONU. Os debates sobre a situação serão retomados às 15h locais em Nova York (16h em Brasília). Moscou O ministro do Exterior russo Sergei Lavrov pediu que os EUA persuadam a Geórgia para terminar o que Moscou chama de "agressão" contra Ossétia do Sul. Em comunicado, o chanceler explicou que falou três vezes com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. "Foi reforçado que agora é preciso que eles (EUA) interrompam urgentemente as ações ilegais do lado georgiano, retirem suas forças armadas armadas da zona do conflito e volte a implementar acordos", declarou.  Matéria atualizada às 15h40. 

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