Mikhail Voskresensky/Reuters
Mikhail Voskresensky/Reuters

Blogueiro e líder oposicionista russo é indiciado por furto

Adversários de Putin dizem que presidente tem perseguido oposição desde que iniciou mandato

Reuters

31 de julho de 2012 | 09h53

Texto atualizado às 11h30

MOSCOU - Investigadores russos indiciaram na terça-feira, 31, o blogueiro e líder oposicionista Alexei Navalny por suspeita de furto, ameaçando um dos mais inflamados adversários do presidente Vladimir Putin com uma pena de até dez anos de prisão.

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O Comitê Investigativo federal disse em nota que Navalny foi indiciado por suspeita de furtar madeira de uma estatal quando era consultor de um governo regional, em 2009. Ele foi proibido de deixar a Rússia.

Adversários de Putin dizem que o presidente tem perseguido a oposição desde que iniciou seu novo mandato de seis anos, em maio.

"Fui indiciado e recebi ordens de não sair (do país)", disse Navalny, de 36 anos, ao sair da sede do Comitê Investigativo, em Moscou. "Isso é realmente bem absurdo e bem estranho, porque eles já mudaram completamente a essência da acusação, em comparação ao que era antes."

Advogados de Navalny disseram na sexta-feira que já esperavam seu indiciamento pelo caso na província de Kirov, após uma investigação iniciada em 2010. Mas eles esperavam que o ativista fosse indiciado por outra acusação, que acarreta pena de até cinco anos.

Navalny, que é advogado, disse pelo Twitter que pode ser condenado a até dez anos.

Ele esteve entre os líderes dos grandes protestos contra Putin motivados por acusações de fraude numa eleição parlamentar de dezembro, vencida pelo partido governista Rússia Unida.

Nos últimos meses, o governo sancionou uma lei que aumenta as multas para protestos não autorizados e reforça a fiscalização sobre campanhas e grupos de pressão financiados pelo exterior.

Navalny foi detido várias vezes por infrações administrativas relacionadas aos protestos, os quais às vezes reuniram mais de 100 mil pessoas, abalando a autoridade e Putin. Mas até agora ele nunca havia sido indiciado por nenhum crime grave.

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