Bombardeiros estratégicos russos retomam vôos da Guerra Fria

Avião russo sobrevoou ilha de domínio dos EUA e 'trocou sorrisos' com pilotos norte-americanos que o seguiam

Reuters e Associated Press,

09 de agosto de 2007 | 10h28

Bombardeiros estratégicos russos retomaram a prática, comum na Guerra Fria, de sobrevoar áreas distantes patrulhadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os Estados Unidos, disse um brigadeiro russo nesta quinta-feira, 9. Na quarta, um avião russo sobrevoou uma base militar dos EUA na ilha de Guam (Pacífico) e "trocou sorrisos" com pilotos norte-americanos que partiram em seu encalço, segundo o brigadeiro Pavel Androsov, comandante das operações de longo alcance da Força Aérea russa. "Sempre foi tradição da nossa aviação de longo alcance voar oceano adentro, para encontrar porta-aviões (dos EUA) e saudar visualmente (os pilotos)", disse Androsov em entrevista coletiva. Dois bombardeiros Tu-95 passaram esta semana por Guam, território dos EUA, localizada a cerca de 5.150 km a sudeste da cidade oriental russa de Vladivostok, como parte de exercícios militares, disse Androsov. "Ontem revivemos essa tradição, e dois dos nossos jovens tripulantes visitaram a área da base de Guam. Acho que o resultado foi bom. Encontramos nossos colegas - pilotos de caça dos porta-aviões (dos EUA). Trocamos sorrisos e voltamos para casa", disse Androsov. A Rússia vem buscando uma posição mais firme no cenário internacional e tenta projetar seu poderio militar bem além das suas fronteiras. Na semana passada, a Marinha anunciou a intenção de retomar a presença naval da era soviética no mar Mediterrâneo. No mês passado, caças da Real Força Aérea britânica saíram no encalço de bombardeiros russos que se dirigiam ao espaço aéreo britânico. Os militares russos disseram que se tratava de um vôo de rotina. O vôo até Guam fazia parte de manobras aéreas de três dias, nas quais bombardeiros estratégicos russos promoveram 40 missões e lançaram oito mísseis de cruzeiro, explicou Androsov, que comanda a força de bombardeiros de longo alcance da Rússia. O incidente coincidiu com jogos de guerra de uma semana sendo realizados pelas Forças Armadas dos EUA na costa de Guam, envolvendo mais de 22.000 soldados, dezenas de navios e centenas de aviões. Os exercícios militares, que começaram na terça-feira, não estão relacionados a atuais eventos mundiais nem visam qualquer país, garantiram oficiais americanos. Durante a Guerra Fria, bombardeiros soviéticos rotineiramente voavam sobre grandes extensões dos Oceanos Ártico, Atlântico e Pacífico - áreas de onde poderiam lançar mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares nos Estados Unidos em caso de guerra. As manobras foram suspensas depois do colapso econômico que se seguiu ao fim da União Soviética, mas o atual boom financiado pelo preço do petróleo tem permitido ao governo destinar grandes somas aos militares. O Kremlin tem também assumido uma postura cada vez mais decidida na arena internacional enquanto esfriam suas relações com os EUA e a Otan.

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