Bombeiros começam a controlar incêndios na Grécia

Pelo menos 2 focos na fronteira com a Albânia continuam; Peloponeso, região mais atingida, está sob controle

Associated Press e Reuters,

29 de agosto de 2007 | 09h41

Os bombeiros conseguiram nesta quarta-feira, 29, começar a controlar os incêndios florestais que já mataram pelo menos 64 pessoas em todo o país nos últimos dias e desencadearam acusações de incompetência contra o governo.   Centenas de pessoas que perderam casas, plantações, cabeças de gado e outros bens lotaram hoje as agências bancárias do sul da Grécia para receber uma ajuda emergencial de 13 mil euros prometida pelo governo, que vem sendo acusado de não ter conduzido adequadamente a situação. Milhares de gregos devem participar nesta quarta de um protesto em Atenas, em solidariedade aos milhares de desabrigados. Segundo o governo, os incêndios custarão ao país 1,2 bilhão de euros, mais de 0,6 % do PIB grego.As chamas que mantinham moradores isolados e aterrorizados em parte da península do Peloponeso, ao sul, agora estão sendo controladas, segundo disseram os bombeiros. Eles alertaram, porém, que os ventos poderiam reavivar as chamas, algo que vem ocorrendo costumeiramente e prejudicando os trabalhos."Temos de continuar cuidadosos porque os ventos normalmente ganham força à tarde", disse o bombeiro voluntário Costas Georgakopoulos na cidade de Ploutochori, na península do Peloponeso.A região é a mais afetada pelos incêndios, mas há casos até em Ioannina, no norte. Os serviços de emergência do país estão sobrecarregados, e reforços e equipamentos foram enviados de lugares como Espanha e Israel.   Estado de emergência O governo conservador do primeiro-ministro grego, Costas Karamanlis, declarou emergência nacional devido à onda de incêndios, a maior já registrada, e pediu unidade e solidariedade com as vítimas.Porém, a oposição e muitos cidadãos atingidos dizem que as autoridades demoraram a agir e foram incompetentes. "O governo demonstrou que é completamente incapaz de gerenciar esta importante crise. Foi uma resposta fraca, ineficiência e o que equivale a uma negligência criminosa", disse George Papandreou, líder do Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok).   Pesquisas de opinião expunham o crescente descontentamento com o governo conservador grego apenas algumas semanas antes das eleições antecipadas, convocadas pelo primeiro-ministro Costas Karamanlis para 16 de setembro. Uma nova pesquisa mostra que os conservadores mantêm uma vantagem de dois pontos percentuais sobre o Pasok, num sinal de que Papandreou talvez não esteja conseguindo capitalizar politicamente a crise.Outra pesquisa, publicada na terça-feira, mostrava que a vantagem dos governistas havia caído para menos de um ponto percentual.   Mercado imobiliário Em julho, cerca de 10 mil pessoas fizeram uma manifestação depois que um incêndio menor destruiu uma das poucas florestas remanescentes perto de Atenas. Elas exigiam que a área fosse recuperada ao invés de usada para fins imobiliários.Muitos gregos acham que vários dos incêndios foram ordenados por especuladores imobiliários. O governo oferece até 1 milhão de euros por pistas que levem a incendiários.Na cidade de Patras, um estádio de futebol foi transformado em acampamento de desabrigados. Em toda a região da Ília, dezenas de caminhões da companhia elétrica local trabalhavam para religar a eletricidade de algumas aldeias do Peloponeso que estão há seis dias sem energia.

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