Brasil vai esperar decisão da ONU sobre Kosovo

'Não queremos tomar decisão precipitada', diz ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim

BBC Brasil,

18 de fevereiro de 2008 | 17h44

O Brasil vai aguardar a posição da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a independência do Kosovo antes de tomar uma posição a respeito. "Não há que tomar uma decisão precipitada. É uma questão complexa, que tem vários aspectos", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista coletiva no Itamaraty.   Veja também: EUA reconhecem independência de Kosovo UE permite reconhecimento individual Sérvios protestam contra independência Bush reconhece a independência de Kosovo Sérvia acusa líderes por 'crime contra a ordem' Kosovo luta pelo reconhecimento internacional Kosovo faz o mundo pisar em ovos  Entenda o que está em jogo em Kosovo Mapa: a disputa dos Bálcãs  Veja lista de países que reconhecem a independência do Kosovo    Durante a entrevista, o Conselho de Segurança da ONU ainda estava reunido discutindo o assunto. Amorim disse que o Brasil defende o respeito às resoluções do Conselho - a resolução 1244, de 1999, estabelece a integralidade do país, na época ainda Iugoslávia. Porém, Amorim disse que o governo brasileiro também vai levar em conta o desejo da população local.   "Eu vi as imagens na televisão, vejo que o povo do Kosovo aparentemente, de um modo geral, está contente com esta situação, o que é algo que você também tem que levar em conta", afirmou. "Mas também não podemos ignorar totalmente. Se a Sérvia tivesse concordado com a independência seria mais fácil. Mas não é o caso."   Em nota oficial, o Itamaraty diz que "o Brasil espera que prevaleça orientação construtiva e vontade política que possibilite alcançar solução satisfatória e conclama os atores envolvidos no processo a exercerem o máximo comedimento de maneira a não pôr em risco a paz e a segurança na região, assim como a assegurarem a adequada proteção das minorias".   Rússia   Amorim conversou sobre a independência do Kosovo na reunião que teve com o chanceler da Índia, Pranab Mukherjee, no Itamaraty, e também com o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, num telefonema nesta segunda-feira, 18, de manhã para tratar de outros assuntos.   Brasil e Índia têm posições similares, disse Amorim, e defendem uma solução multilateral, através do diálogo e da negociação.   O ministro defendeu a cautela argumentando que esta também tem sido a posição de vários países europeus. "Temos que analisar com cuidado, porque essas decisões mais tarde podem valer também pra outras situações", afirmou.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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