Brasileira não estava grávida, diz polícia suíça

Polícia afirma que não descarta possibilidade de autoflagelo e que três suspeitos foram interrogados e liberados

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

13 de fevereiro de 2009 | 11h21

A polícia de Zurich informou nesta sexta-feira, 13, que a brasileira Paula Oliveira não estava grávida no momento da agressão que sofreu na última segunda-feira. A advogada ainda está internada depois de alegar que foi agredida por três skinheads, mas a polícia, citando relatórios médicos, concluiu que no momento do ataque ela já não estava grávida. A policia voltou a insistir que não há como garantir ainda que os ferimentos foram causados por agressores e mantém a possibilidade de autoflagelação. Mesmo assim, a polícia informa que interrogou três homens na noite de segunda-feira, e que foram liberados por falta de evidências.   Veja também: Agressor será expulso se provado ataque, diz partido Imprensa suíça levanta dúvidas sobre caso Lapouge: Marca do horror dificilmente se apagará   Para Amorim, há xenofobia 'evidente' em caso de advogada Maior partido do país é famoso por propaganda racista 'Fomos vítimas da xenofobia', diz pai de torturada Suíça admite descaso com a violência de neonazistas Xenofobia aumenta na UE, indicam relatórios    A família da brasileira acusa a polícia de estar tentando "desviar a atenção" das investigações. Paulo Oliveira, pai da vítima, afirmou ao Estado que se o fato dela estar ou não grávida "não é o centro da questão". "A polícia dizia no começo que minha filha teria se autoflagelado. Agora, dizem que ela não estava grávida. O que eles precisam é encontrar os culpados, e não ficar desviando a atenção". O pai da vítima disse ainda que desconhece a declaração da policia sobre a situação de sua filha. "Eu estou aqui cuidando da minha filha e é isso que vou fazer", concluiu. Paula ainda está internada no hospital Universitário de Zurique e não deve ter alta nesta sexta-feira.   Tese de autoflagelo   Segundo a BBC, o diretor do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, Walter Bär, afirmou nesta sexta-feira que, a partir de exames de legistas e ginecologistas, sua conclusão é de que a brasileira Paula Oliveira não estava grávida e teria ela mesma feito os ferimentos em seu corpo. Em entrevista coletiva na sede da polícia de Zurique, Bär afirmou que os corte encontrados no corpo dela foram realizados em locais que podem ser alcançados por ela mesma".   "Além disso, as partes mais sensíveis do corpo feminino, como genitais e seios, não foram atingidos pelos ferimentos", acrescentou. "Minha conclusão é que ela mesma fez os ferimentos". "Quero ressaltar que o Instituto de Medicina Forente da Universidade de Zurique é uma entidade independente, sem ligação com a polícia nem com as autoridades de Justiça", observou Bär. De acordo com a polícia suíça, as investigações sobre o caso ainda não foram concluídas e seguem em andamento em todas as direções.   A advogada afirma ter sido atacada por três skinheads, um deles com uma cruz maltada tatuada na testa, diante da estação ferroviária de Stettbach, na cidade suíça de Dübendorf, vizinha de Zurique. Fotografias feitas depois do suposto ataque mostravam a barriga e as pernas de Paula repleta de cortes, alguns deles formando as iniciais SVP, sigla do principal partido político de extrema direita da Suíça. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil e a mídia informaram que ela falava ao telefone em português no momento do suposto ataque, alimentando especulações de que o episódio teria motivação xenófoba. A divulgação dos detalhes chocou a opinião pública no Brasil e na Suíça e levou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a condenar o incidente.   SVP   Logo após a coletiva da polícia e do perito em Zurique, um porta-voz do SVP, Alain Hauert, comentou o caso e o envolvimento do nome do partido no episódio. "Caso seja comprovado que houve um ataque, apesar de tudo apontar que pelo menos parte do depoimento da brasileira não condiz com a verdade, a polícia deve prender e punir os responsáveis", disse Hauert."Caso ela tenha feito em si mesma os ferimentos, e existe muita gente em várias regiões da Suíça que crê nessa possibilidade, o caso não nos diz respeito, estaria encerrado e não temos nada a dizer quanto a isso", acrescentou. Questionado sobre a marca com a sigla do SVP no corpo da brasileira, Hauert respondeu: "Talvez o senhor deva perguntar a ela mesma se ela talvez faz parte de nosso partido".   (Com agências internacionais)    Matéria atualizada às 15h20.

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