Brasileiro morto conheceria família da mulher nas Ilhas Canárias

Ronaldo Gomes da Silva e sua esposa estão entre as vítimas do desastre aéreo de Madri; casal ia para lua-de-mel

Gabriel Pinheiro, do estadao.com.br,

21 de agosto de 2008 | 15h29

Um amigo próximo do brasileiro morto no acidente aéreo em Madri na quarta, contou ao estadao.com.br que até o momento ninguém havia reconhecido o corpo de Ronaldo Gomes da Silva. "Ronaldo e Yanina [Celisdibowsky, mulher do brasileiro, que também morreu no desastre] se casaram aqui no Brasil, em 3 de julho, mas as famílias não se conheciam", explicou nesta quinta-feira, 21, o advogado brasileiro Yuri Ludwig, que foi padrinho do casamento. Ronaldo, motoboy de 28 anos, e Yanina, alemã, de 21, seguiam para lua-de-mel nas Ilhas Canárias, onde o brasileiro planejava conhecer a família da esposa.   "O único elo entre as duas famílias sou eu", continuou Ludwig, explicando que os pais dela somente reconheceram o corpo da filha. Segundo o advogado, a pessoa mais próxima para reconhecer o corpo do brasileiro é seu irmão, que mora em Londres. "A família de Ronaldo, que mora no interior do Pará, é muito simples e não tem condições de custear a viagem", acrescentou.   Veja também: Avião teve superaquecimento na 1ª decolagem, diz Spanair Aeronaves MD-80 têm histórico de acidentes Avião deu 'sacudida brutal', diz sobrevivente Lista de vítimas divulgada pela companhia Assista ao vídeo  Especial: Como foi o acidente na Espanha Livio Oricchio, repórter do Estado em Madri: cenário era de uma guerra  Especialista em aviação diz que o modelo do avião da Spanair já está obsoleto  Maior acidente aéreo matou 583 na Espanha   O brasileiro era um dos 172 passageiros que embarcou no vôo da Spanair para Las Palmas, nas Ilhas Canárias, que sofreu um acidente no aeroporto de Barajas. O desastre deixou mais de 153 mortos.   O advogado, que mora em São Paulo, contou que conheceu Ronaldo há quatro anos, quando ambos entregavam pizzas em Londres. Ludwig afirmou que o maior sonho do amigo era conhecer uma menina na Europa. O motoboy havia voltado ao País em junho, para se casar. De acordo com Ludwig, Ronaldo planejava ficar apenas quinze dias no Brasil, mas acabou ficando dois meses. Na última terça-feira, o casal partiu para a lua-de-mel.   "A família de Yanina esperava eles no aeroporto das Ilhas Canárias, onde moram os pais dela", declarou Ludwig. Foram os pais da alemã que comunicaram a família do advogado da morte de Ronaldo, que em seguida entrou em contato com os familiares do motoboy. "Ninguém queria acreditar", continuou.   Ludwig se dispôs a ir a Madri reconhecer o corpo do amigo, se o irmão de Ronaldo não puder viajar. Emocionado, ele criticou os problemas da aviação civil na Europa. "As companhias estão sucateando a frota. Para nós, é uma morte, mas para eles, é só mais uma estatística."  

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