Brasileiros contam como enfrentaram o terremoto na Itália

Se você está na região de Áquila, epicentro do tremor, envie seu relato para editor@estadao.com.br

da redação,

06 de abril de 2009 | 11h17

Brasileiros que vivem na região do terremoto que atingiu a Itália nesta segunda-feira, 6, contaram como sentiram o tremor de 6,3 graus na escala Richter. Se você vive na região, envie seu relato, fotos e vídeos para editor@estadao.com.br.

 

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O brasileiro Cláudio Rique, que vive a cerca de 200 quilômetros de Áquila, epicentro do tremor, chegou a sentir os reflexos do terremoto. Segundo ele, as pessoas deixaram suas casas ainda adormecidos e de pijamas por medo e permaneceram nas ruas durante a madrugada.

 

A brasileira Kelly Jones, de 42 anos, vive em Rieti, a 50 quilômetros do local do epicentro do terremoto, e também chegou a sentir os reflexos do tremor. "Durante a madrugada, senti a cama vibrar e cheguei a pensar que o terremoto fosse aqui. Caíram as bolsas que estavam em cima do armário, os cintos pendurados no armário começaram a balançar, foi uma coisa horrível". Kelly criticou a falha do governo em alertar e preparar a população para uma situação como esta. "Aqui é assim, ninguém te avisa nada, não dão informações, então as pessoas não sabem o que fazer e tem toda uma situação de pânico. Para você ter uma ideia, a tia do meu marido dormiu com toda a família no carro porque ela não sabia o que estava acontecendo; sabia que era um terremoto, mas não onde. E como aqui na Itália já tiveram tantos terremotos, eles têm bastante medo".

 

Kelly, que mora no país há seis anos, afirmou que a região do epicentro está isolada e sem recursos básicos, como água, luz e telefone, e que a imprensa mostra que hospitais ruíram e os feridos são tratados nas ruas. A brasileira afirma ainda que as televisões ressaltam que não seria possível prever a tragédia, ao contrário do que apontou um pesquisador italiano que teria alertado sobre a possibilidade de um tremor na região.

 

Evelina Di Colli, 44 anos, brasileira do Paraná, mora em Roseto degli Abruzzi, que está a uma hora de viagem de Áquila. Ela disse à BBC que foi acordada pelo marido no meio da noite e viu os lustres balançando. "Quando deu três e meia da manhã vimos todos os lustres tremendo. Estou com dor nas costas até agora, porque quando vi já estava na escada, com meu marido e meu filho", disse à BBC Brasil.Evelina mora há 15 anos na Itália.

 

Em Roseto degli Abruzzi ela é presidente da associação Itália Brasil e ajuda imigrantes brasileiros a arrumar trabalho e os que são descendentes de italianos a obter a cidadania. É a primeira vez que ela sente a terra tremer no apartamento do primeiro andar onde vive com o marido italiano, e o filho de oito anos. Ela confessa que ficou muito assustada mas que não foi o terremoto que a acordou. "Foi meu marido que me acordou. Ele disse: Evelina, levanta que está tremendo tudo. O vizinho do lado pegou as crianças, colocou no carro e foi embora".

 

A primeira atitude da família de Evelina, assim que sentiram a terra tremer, foi sair de casa. "Dizem que quando tem terremoto, o lugar mais seguro é a escada do prédio , então corremos para lá, aguardamos, vimos que tinha tranquilizado e voltamos para casa, não para dormir porque ninguém dorme, mas ficamos acompanhando pela televisão o que aconteceu ", disse. Segundo o relato de Evelina, a cidade de Roseto degli Abruzzi não foi muito atingida pelo terremoto. "Não sentimos danos de cair alguma coisa, foi mais o tremor mesmo, porque estamos na frente do mar e acredito que o mar faz tranquilizar esta parte, quando é mais interno é que cai tudo".Durante o tremor de terra, todos os moradores, com medo, saíram para a rua, segundo ela, mas não houve feridos nem danos em sua cidade.

 

Segundo informou Evelina, há cerca de 20 brasileiros morando em Roseto Degli Abruzzi . De acordo com ela, em toda a região montanhosa do Abruzzo seria grande o número de brasileiros embora não haja estatísticas a respeito. "Muitos vem para pegar a cidadania italiana, depois, tem as famílias com filhos que decidem ficar morando aqui", disse.

 

Ricardo Bottin, 28 anos, de Toledo no Parana, mora há um ano em Roseto degli Abruzzi e conseguiu pegar a cidadania italiana justamente nesta segunda feira. Descendente de italianos, atualmente ele está desempregado mas trabalhou na construção civil. Ricardo mora na sede da Associação Itália Brasil, junto com mais 4 brasileiros. Ele disse que saiu de casa assim que sentiu a terra tremer. "Deitei meia noite e meia. De madrugada senti um tremor, perguntei o que estava acontecendo, levantei, fui até a janela e teve outro tremor. Aí, sai da casa", disse à BBC Brasil.Ricardo contou que é a primeira vez que ele sente um terremoto em sua vida e por isso achou que foi uma "experiência interessante"."O terremoto não é uma coisa boa, mas para mim foi interessante porque nunca passei por isso".

 

Marcelo Fernandes, de 32 anos, é de Osasco, e estava em Roma quando acordou, às 3h32, com as janelas do prédio balançando. "Sentei na cama e ela começou a se mexer, para frente e pra trás", conta o brasileiro. "Levantei assustado e vi que era mesmo um terremoto. Minha esposa também ficou muito assustada, vários alarmes de carros na rua começar a tocar. Nunca vi nada igual", acrescenta.

 

(Matéria atualizada às 17h50)

 

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