CHRIS J RATCLIFFE/AFP
CHRIS J RATCLIFFE/AFP

Brexit faz judeus britânicos buscarem cidadania alemã

Número de pedidos já é 20 vezes maior que a média anual

O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2016 | 18h29

LONDRES - O número de pedidos de cidadania alemã por parte de britânicos descendentes de judeus que viveram o Holocausto cresceu depois do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. 

Atualmente, autoridades alemãs avaliam cerca de 400 pedidos e informam que o número deve chegar a 500 em breve. O número é 20 vezes maior que a média anual de pedidos, 25, segundo o Guardian.

O direito ao pedido de cidadania alemã é garantido a qualquer pessoa que tenha sido perseguida durante o nazismo por questões raciais, religiosas ou políticas. O direito se estende aos descendentes.

Para muitos descendentes de judeus, o resultado da votação do Brexit, em junho, foi um motivo suficiente para encarar o passado e buscar a cidadania alemã. Ao Guardian, o presidente da Associação de Refugiados Judeus, Michael Newman, disse que a abertura do pedido de cidadania tem sido uma experiênciaa difícil para os judeus em função do histórico de perseguição durante o nazismo.

"É irônico que nós [a Associação] fomos fundados, em parte, para ajudar pessoas a se naturalizarem britânicas e, 70 anos depois, estamos ajudando aqueles que querem ter cidadania alemã em razão dos recentes acontecimentos no Reino Unido". 

A enfermeira londrina Judith Wolff é uma das pessoas que estão tentando obter cidadania alemã. Seu pai, Franz Wolff, fugiu de Berlim em 1939 aos 18 anos. Trabalhou em um hotel em Londres e, quando a 2ª Guerra eclodiu, lutou com o Exército britânico. 

Franz morreu em 2001 e, segundo Judith, nunca falou sobre a morte de parte de sua família em Auschwitz, fato do qual tomou conhecimento logo depois do fim da guerra. "Não se dizer o quanto isso afetou meu pai", conta Judith. 

Encarar o passado e a história da família foi um dos desafios de Judith na preparação para fazer o pedido de cidadania alemã. "Eu fiquei chocada com o resultado do referendo", conta Judith. "Já vivi e já trabalhei na França e agora vejo as portas da Europa se fechando para mim. Percebi que obter a cidadania alemã é uma forma de me prevenir contra isso". 

 

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