Britânico enviou cartas-bomba em protesto contra o governo

Miles Cooper diz que correpondências que assustaram o país seriam críticas ao controle sobre os cidadãos

Ansa,

27 de setembro de 2007 | 14h45

O britânico Miles Cooper, de 27 anos, enviou uma série de cartas-bomba a diferentes destinos no Reino Unido para protestar contra o "controle exagerado" do Estado sobre os indivíduos, segundo informaram fontes judiciais. Cooper negou 12 acusações contra ele vinculadas ao envio de cartas explosivas entre janeiro e fevereiro passados. O britânico enviou sete cartas-bomba, cinco das quais explodiram ferindo oito pessoas.  As cartas explosivas foram enviadas a três laboratórios de ciências forenses, a uma companhia de computação, a uma firma de contadores, a um departamento do governo encarregado de multas veiculares e a uma empresa privada. Cooper, que vive em Cambridge, disse aos juízes da Corte de Oxford que tomou a decisão de enviar os artefatos pois estava com raiva das autoridades e "muito preocupado com a direção que o país estaria tomando". Sua revolta piorou quando seu pai não conseguiu retirar o DNA de uma lista policial, incluído após ter sido absolvido de um crime em 2003. "Senti que meu pai foi usado e que não poderia fazer nada a respeito", acrescentou. Cooper contou que anteriormente havia feito campanha contra os planos do governo para implementar as cédulas de identidade obrigatórias, mas que seus problemas com a administração do Reino Unido surgiram por conta do episódio com seu pai. Além disso, ele esclareceu que as cartas-bomba que enviou "tinham como intenção causar temor, e não danos físicos". Segundo Cooper, a correspondência foi enviada a organizações vinculadas ao governo, com a vigilância e o monitoramento de indivíduos. "Se damos a um grupo pequeno de pessoas (o governo) demasiado poder, eles eventualmente abusarão desse direito", declarou o britânico diante da corte. "Com base no que aprendi na escola e li nos livros de história, um Estado autoritário pode se formar eventualmente, e o direito à livre expressão silenciado", acrescentou. Em referência ao Reino Unido e "a sociedade de vigilância", o britânico afirmou: "Somos uma das sociedades mais vigilantes do planeta".

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