Britânicos denunciam campanha contra pais de Madeleine

Para os periódicos The Times e The Independent, a polícia portuguesa pode estar agindo de má-fé

Efe

09 de agosto de 2007 | 05h32

A imprensa britânica denuncia nesta quinta-feira, 9, uma suposta campanha atribuída à polícia portuguesa para difamar os pais da menina Madeleine McCann. Há quase 100 dias ela desapareceu em um apartamento no Algarve, em Portugal.   Uma amiga íntima dos McCann, Rachael Oldfield, culpa diretamente a polícia, conforme publicação do jornal The Times. Ela estava com o casal no momento do desaparecimento da menina.     "Acho que a polícia está vazando informações, porque o que leio é muito doloroso e totalmente ridículo. Mas é difícil para a família se defender, porque a investigação é confidencial", critica Oldfield, de 36 anos.   O The Times relaciona os comentários de Oldfield às suspeitas de um homem, cuja mulher cumpre condenação de 16 anos de prisão no Algarve. Para ele, a polícia portuguesa está preparando uma armadilha para envolver a mãe da menina, Kate McCann, na morte da própria filha.   De acordo com o periódico britânico, Gonçalo Amaral, um dos funcionários que coordena atualmente as pesquisas sobre o desaparecimento de Madeleine, foi acusado em junho, com quatro companheiros, de uma série de faltas relacionadas com a investigação sobre a morte de outra menina.   Outro jornal da Grã-Bretanha, o The Independent, exibe nesta quinta-feira, 9, na primeira página a manchete "Verdade, mentiras e a difamação dos McCann".   O jornal diz que os restos de sangue supostamente achados no apartamento dos McCann talvez não tenham nada a ver com o casal, porque centenas de pessoas alugaram o local nos últimos anos.   Segundo o Independent, jornais portugueses, como o Diário de Notícias, desde o início do caso tem mostrado animosidade pelos McCann. A atitude levou a manchetes sensacionalistas, como "assassinada em seu apartamento".   O Independent também questiona a atuação de Gonçalo Amaral no esclarecimento da morte de outra menina. A polícia portuguesa confirmou que ele e outros quatro funcionários foram acusados de tortura, ocultação de provas e falsificação de documentos.   "Tudo isto é muito perturbador para a polícia portuguesa, escreve o jornal, denunciando ao mesmo tempo o sensacionalismo dos jornalistas britânicos que cobrem o caso.   O jornal critica a campanha para divulgar a imagem da menina por toda Europa. Ela pode ter sido contraproducente, levando um possível seqüestrador a manter Madeleine bem oculta.

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