Britânicos fazem greve mas governo diz que impacto é limitado

Centenas de professores e funcionários públicos entraram em greve na quinta-feira na Grã-Bretanha, o que pode ser o pontapé inicial de meses de paralisação generalizada contra as reformas previdenciárias e medidas de austeridade do governo.

STEFANO AMBROGI E PAUL SANDLE, REUTERS

30 de junho de 2011 | 18h27

Ecoando protestos em toda a Europa contra os cortes de gastos para reduzir os déficits orçamentários, as greves fecharam muitas escolas, bem como um pequeno número de tribunais e repartições públicas, enquanto milhares participaram de marchas em todo o país.

O governo britânico de centro-direita disse que o impacto era limitado e muitos funcionários públicos ignoraram a ação sindical, com protestos geralmente pacíficos e pequenos.

As greves são as primeiras no país e, segundo os sindicatos, fazem parte de uma onda de ações contra as medidas do governo britânico para cortar o valor das aposentadorias no setor público.

"Esse país está sendo liderado por pessoas que são privilegiadas, pessoas que ganham muito dinheiro... A distância entre os ricos e os pobres está aumentando. Não achamos que nós deveríamos sofrer por isso", disse Martin Pitcher, de 35 anos, um professor do ensino fundamental que estava participando do protesto no centro de Londres.

A polícia informou que a manifestação em Londres, que parou o trânsito em algumas das principais vias da cidade e ao redor do Parlamento, envolveu até 15 mil pessoas carregando faixas e fazendo barulho com apitos.

"Estamos aqui para proteger nossas aposentadorias. Também estamos lutando pelas pensões e contra os cortes de gastos do governo em geral. Estou preocupado com minha aposentadoria porque quando eu calculo o que vou receber, não é o suficiente para viver", disse Simon Korner, professor universitário de 54 anos.

Aproximadamente um em cada oito trabalhadores do setor público britânico participou do protesto de quinta-feira, mas outros sindicatos preparam suas greves para mais tarde neste ano caso as negociações fracassem.

Um porta-voz do governo disse que a adesão à greve é "talvez menor do que os sindicatos alegam". Passageiros de voo enfrentaram alguns atrasos por conta da adesão de autoridades da imigração à greve, que poderá ter até 750 mil trabalhadores.

"O que vimos hoje (quinta-feira) é que a grande maioria dos que empregados que trabalham duro no setor público não apoia a greve prematura e foi trabalhar hoje", disse o ministro de gabinete Francis Maude, membro do Partido Conservador do primeiro-ministro britânico, David Cameron.

(Reportagem adicional de Avril Ormsby, Adrian Croft e Michael Holden)

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