Suzanne Plunkett/Reuters
Suzanne Plunkett/Reuters

Brown anuncia renúncia para facilitar aliança de trabalhistas com liberais

Premiê pede para partido preparar disputa interna e diz que não tomará parte de nenhum candidato

estadão.com.br

10 Maio 2010 | 13h28

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse nesta segunda-feira, 10, que renunciará ao posto de líder do Partido Trabalhista e ao seu cargo no governo em setembro para facilitar uma aliança de seu partido com os liberais democratas para formar o governo.

 

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Brown pediu ao Partido Trabalhista que comece a realizar os preparativos para que se escolha a nova liderança da sigla e anunciou não concorrerá nessa disputa interna. "Eu não tomarei parte nessa disputa e não apoiarei nenhum candidato", afirmou.

 

Brown disse que há potencial para um "governo progressista". Caso realmente deixe o cargo em setembro, quando o partido realiza disputas internas para eleger um novo líder, Brown deve ser substituído pelo secretário de Exteriores, David Miliband, ou pelo secretário de Educação, Ed Balls, os nomes mais cotados para sucedê-lo.

 

Brown afirmou ainda que Clegg solicitou formalmente o início de negociações com o Partido Trabalhista. O liberal democrata confirmou poucos momentos depois e disse que a decisão de Brown era um elemento importante para a transição de governos. Clegg disse anteriormente que a renúncia do premiê poderia ser uma condição par que os partidos formassem uma aliança, o que não foi citado no discurso do trabalhista.

 

Os comentários de Brown foram feitos em um momento que os conservadores, partido que conseguiu o maior número de representantes na Casa dos Comuns, tentam formar uma aliança com os liberais democratas. Alguns membros do Parlamento disseram que as negociações não avançam pelas divergências em alguns aspectos, como a reforma eleitoral.

 

Após o anúncio dos resultados das eleições, Clegg havia dito que negociaria uma coalizão antes com os conservadores, já que o partido havia se tornado o maior no Parlamento, rompendo assim a convenção constitucional que dá preferência ao primeiro-ministro vigente. Brown afirmou compreender a postura de Clegg e disse que cuidaria para que as negociações corressem dentro da legislação britânica.

 

Os liberais democratas e os conservadores iniciaram as negociações um dia após as eleições, e apesar de ambos os lados dizerem que houve avanços, nenhuma aliança foi firmada, o que abriu espaço para conversas com os trabalhistas, conforme Clegg disse que ocorreria anteriormente caso não houvesse acordo com o partido de Cameron.

 

Não há um prazo estabelecido para a escolha do novo primeir-ministro, mas espera-se que o ocupante do cargo seja definido antes do dia 25, quando a Rainha Elizabeth II confirma o líder britânico em seu discurso. Caso nenhuma aliança seja firmada, Cameron pode tentar governar sem maioria ou novas eleições podem ser convocadas.

 

(Com informações das agências Reuters e BBC)

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