Brown descarta retirada de tropas britânicas do Iraque

Premiê britânico responde críticas da oposição e defende missão de garantir a segurança do país

Efe e Reuters,

28 de agosto de 2007 | 08h10

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, descartou, em sua resposta a um dirigente da oposição, a breve retirada das tropas do Reino Unido que atuam no Iraque. O premiê insiste que o país tem uma "uma importante tarefa pela frente" lutando contra as milícias na região e garantindo a segurança. Em carta dirigida ao líder do Partido Liberal-Democrata, Menzies Campbell, que tinha solicitado um calendário de retirada das tropas, Brown rejeitou a possibilidade. O premiê destaca a importância da contínua presença dos 5.500 britânicos que ainda estão no país, dos 18 mil que participaram inicialmente da ocupação. "As decisões sobre os níveis de forças e nossa posição no Iraque dependem das condições do terreno" e são adotadas com base "no conselho de nossos especialistas militares e outros", respondeu o chefe de governo a Campbell. O líder oposicionista tinha chamado de "insustentáveis" os atuais níveis de baixas das tropas do Reino Unido. Vários militares americanos criticaram ultimamente a redução da presença militar britânica na região de Basra, no sul do Iraque. Eles apontaram a retirada como um fator crescente de instabilidade e alertaram contra a tentação de reduzir ainda mais o contingente. A edição desta terça-feira, 28, do jornal The Times publicou declarações do general Richard Dannatt, chefe do Estado-Maior do Exército. Mantido em segredo até então, Dannatt teria ordenado a seus mais estreitos colaboradores que estivessem preparados para uma "geração de conflitos" devido à ameaça islâmica que cresce contra o Ocidente. Alguns especialistas britânicos duvidam, no entanto, que o país possa manter uma presença militar intensa em duas frentes ao mesmo tempo, a iraquiana e a afegã. Outros acham que as forças britânicas estão exacerbando a situação no sul do Iraque, onde as facções sectárias estão à beira da guerra civil. Em sua carta ao dirigente liberal, Brown procura, no entanto, calar os seus críticos. "As forças britânicas em Basra mantêm sua capacidade de combater as milícias e proporcionar segurança geral" à população, diz o primeiro-ministro. Ele lembra, além disso, que está cumprindo suas obrigações com as Nações Unidas. 'Perigos islâmicos'   Brown também defendeu a política britânica no sul do Afeganistão, onde as tropas vêm sofrendo ultimamente várias baixas. O Afeganistão, por sua importância estratégica, é um dos maiores desafios para os militares britânicos, como afirmou o general Dannatt em recente discurso aos altos comandantes do Exército que o Ministério da Defesa supostamente tentou manter secreto e que foi divulgado pelo Times. O general Dannatt destacou os perigos "da estridente sombra islâmica". Ele avisou que o Exército britânico enfrenta uma nova versão do que o escritor Rudyard Kipling batizou, em seu romance "Kim", de "O Grande Jogo": a luta pela conquista da Ásia Central. O "Grande Jogo" consistiu na luta no fim do século XIX entre dois impérios, o britânico e o da Rússia czarista, pela influência na Ásia Central. A região acabou incorporada à zona de influência russa, enquanto o Reino Unido ficava com o Oriente Médio e a Índia, autêntica jóia da Coroa. "O desafio desta geração não deve nada a nenhum dos precedentes", disse o general Dannatt. Ele afirmou que um eventual fracasso em qualquer das duas campanhas, no Iraque ou no Afeganistão, fará do futuro "um lugar muito incerto".

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