Brown enfrenta críticas após dizer que não convocará eleições

Primeiro-ministro britânico declara que está determinado a mostrar 'sua visão de mudança' para o país

Efe,

07 de outubro de 2007 | 11h23

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, expôs neste domingo, 7, perante uma inundação de críticas da oposição, suas razões para não convocar eleições gerais em novembro, e voltou a afirmar que seu partido responde às mudanças exigidas pelos cidadãos. Sua decisão de desistir na última hora de realizar eleições, confirmada no sábado em declarações à BBC, valeu ao líder trabalhista duras críticas de seus rivais políticos, que lhe recriminaram por sua "falta de coragem" e lamentaram a "grande indecisão e a fraqueza" demonstradas pelo chefe do Executivo. Em sua entrevista à BBC, transmitida na íntegra neste domingo, Brown justificou sua postura, e se disse determinado a demonstrar aos cidadãos "sua visão de mudança" para o país, justificando os diferentes argumentos que pesaram em sua mudança de opinião. "Acho que o importante é que continuemos com o trabalho de mudar este país, já que é isso o que os cidadãos querem, e eu estou respondendo a esta reivindicação", afirmou o primeiro-ministro. Diante da expectativa suscitada pelos rumores sobre o adiantamento eleitoral, a brusca mudança de posição do primeiro-ministro suscitou uma avalanche de críticas virulentas por parte da oposição. O líder do Partido Conservador, David Cameron, aproveitou a conjuntura para atacar o chefe do Executivo, a quem acusou de dar "marcha ré de forma humilhante", acovardado pelos resultados adversos das últimas pesquisas de opinião. Pesquisas A ascensão dos conservadores a partir de seu último congresso se reflete hoje nos dados de três pesquisas de opinião. A pesquisa elaborada pela firma YouGov para o jornal The Sunday Times aponta uma vantagem de três pontos percentuais dos "tories", que aparecem com 41% das intenções de voto. No fim de semana passado, o partido de Cameron estava mais de dez pontos atrás do partido governante. Já a pesquisa elaborada pelo instituto ICM para o News of the World revela uma vantagem de 6 pontos dos conservadores sobre os trabalhistas em circunscrições eleitorais decisivas. Uma terceira pesquisa, publicada pelo The Mail On Sunday, também aponta o Partido Conservador como favorito. "Brown tratou os britânicos como idiotas. Não foi sincero, e todos sabem que a razão pela qual não convoca eleições é o risco de perdê-las", disse Cameron neste domingo. Apesar dos resultados negativos refletidos nas pesquisas desta semana, as primeiras em que os conservadores aparecem na frente dos trabalhistas desde que Brown sucedeu Tony Blair na chefia do Executivo, em 27 de junho, o primeiro-ministro se mostrou convencido de que seu partido venceria em eleições antecipadas. "Venceríamos hoje, na semana que vem ou dentro de várias semanas", garantiu. Brown sustentou, no entanto, que preferia que os cidadãos "tivessem mais tempo" para poder julgar sua gestão de Governo. Esta argumentação também foi criticada pelos liberal-democratas, que acusaram o primeiro-ministro de colocar os interesses de seu partido na frente dos do Reino Unido. "A pergunta que eu faço no final é a mais fundamental: por que estou aqui?", perguntou por fim Brown, para logo em seguida responder: "Porque acho que é minha tarefa defender a minha visão para o futuro do Reino Unido".

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