Stefan Wermuth/Reuters
Stefan Wermuth/Reuters

Brown se dispõe a negociar caso Clegg não forme coalizão com Cameron

Premiê pode deixar o cargo com vitória de conservadores, mas apela pelo discurso da 'reforma eleitoral'

estadão.com.br

07 Maio 2010 | 10h06

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, garantiu nesta sexta-feira, 7, estar aberto para negociar com partidos menores para formar uma coalizão e disse que conversará com o liberal democrata Nick Clegg caso as negociações deste com o conservador David Cameron não resultem na formação de um novo governo.

 

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As declarações do trabalhista foram feitas poucas horas após a apuração dos votos no país confirmar a vitória do Partido Conservador. O grupo político de David Cameron, porém, não obteve maioria absoluta no Parlamento e deverá buscar coalizões com os liberais democratas para sustentar o apoio político.

 

Apesar da disposição de Brown, Clegg já afirmou que dará prioridade à formação do governo com os conservadores. O trabalhista mostrou-se compreensivo e disse "entender e respeitar" a posição do liberal democrata, que rompe a convenção constitucional que dá prioridade ao premiê vigente de tentar formar o governo no caso de um Parlamento dividido.

 

Segundo Brown, os mecanismos políticos já estão ativos para garantir que todos os partidos possam negociar. O próprio premiê disse estar agindo de acordo com suas atribuições, e não como o líder trabalhista.

 

Brown, porém, já acenou com a possibilidade de aceitar a reforma política desejada pelos liberais democratas. "Minha visão está clara. É imediata a necessidade de uma reforma eleitoral para restaurar a confiança dos britânicos na política", disse. Segundo ele, as pessoas devem decidir qual sistema eleitoral deve ser usado no país e a questão é estabelecer um sistema que reflita o que os eleitores mostraram nas urnas.

 

Apuração final

 

A apuração oficial das eleições gerais confirmou que, pela primeira vez desde 1974, haverá uma situação de Parlamento dividido e nenhuma força política terá maioria absoluta.

 

Os conservadores venceram as eleições com 306 cadeiras no Parlamento, contra 258 dos trabalhistas, 57 dos liberais e 28 de partidos menores. Como ninguém obteve a maioria necessária para indicar o primeiro-ministro, os conservadores negociam apoio de outras legendas para formar o governo. No Reino Unido, o voto é distrital. O vencedor da votação em cada circunscrição ganha um assento no Parlamento.

 

(Com informações da agência Efe)

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