Brown se reúne com rei saudita em meio a protestos

Manifestantes protestam contra o desrespeito aos direitos humanos em frente à Embaixada da Arábia Saudita

Ansa,

31 de outubro de 2007 | 11h51

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, se reuniu nesta quarta-feira, 31, com o rei Abdullah da Arábia Saudita na residência oficial de Downing Street, em Londres, em uma visita de Estado que causou grande polêmica no Reino Unido. Enquanto isso, centenas de manifestantes se concentraram na Embaixada da Arábia Saudita em Londres, para protestar pela visita do rei Abdullah e denunciar abusos e violações de direitos humanos cometidos no país do Oriente Médio e a venda de grande quantidade de armas britânicas ao governo saudita. Organizações destacaram ainda acusações de prática de tortura e de limitação à liberdade das mulheres no país. Durante o segundo dia de sua visita oficial ao Reino Unido, o rei planeja discutir com Brown temas como a luta contra o terrorismo, a situação de segurança e política no Oriente Médico, e questões sobre o Iraque e o Irã. Para o governo britânico, a visita serve para fortalecer as relações com um de seus mais importantes parceiros na instável região do Oriente Médio. A reunião em Downing Street acontece após o banquete de gala no Palácio de Buckingham oferecido pela rainha Elizabeth II em homenagem a Abdullah. Durante o jantar, o rei disse que "há sinais agourentos de guerra e conflito no mundo". Numa tentativa de aproximação, Elizabeth II disse que os dois países "devem trabalhar juntos contra os terroristas, que ameaçam a vida de nossos cidadãos". A Arábia Saudita é um dos principais sócios comerciais do Reino Unido, uma relação que ficou sob muita discussão quando o governo britânico deteve uma investigação pelo caso de corrupção no chamado acordo de armas Al-Yamamah entre o governo saudita e a firma inglesa BAE Systems. As manifestações de boicote à chegada do rei Abdullah contaram com a participação dos Liberais Democratas, os quais disseram que não participam de nenhum ato público com a comitiva saudita. Além disso, vários parlamentares trabalhistas disseram que irão se juntar aos protestos, para se opor à visita de Estado do rei. Segundo a BBC, ministros britânicos manifestaram irritação com as alegações do rei Abdullah, na véspera da visita a Londres, de que as autoridades britânicas se recusaram a agir depois de receber informações dos serviços de inteligência sauditas sobre a possibilidade de atentados no país. No entanto, o ministério das Relações Exteriores britânico negou essa versão. Durante a visita de Estado, Abdullah irá se reunir com o príncipe Charles na residência real de Clarence House, com que conversará sobre a fundação "The Prince's Trust", pertencente ao herdeiro ao trono.  A comitiva inclui 23 assessores pessoais do rei, que se hospedarão no palácio de Buckingham, e mais de 400 pessoas que ficarão em diferentes hotéis de Londres. Esta foi a primeira de um monarca saudita em 20 anos.

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