Brown sofre forte revés com retirada do apoio do 'The Sun'

Tablóide, famoso por respaldar vencedor das eleições, afirma que 'governo trabalhista perdeu o rumo'

Efe,

30 de setembro de 2009 | 11h50

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, sofreu um forte revés nesta quarta-feira, 30, ao ver como o tablóide de direita The Sun, do grupo Murdoch e de maior tiragem do país, retirava seu apoio aos trabalhistas.

 

Um dia depois de Brown pronunciar no congresso de seu partido em Brighton um discurso no qual atacou a cobiça dos banqueiros e o fundamentalismo do mercado, o jornal escreveu que, após doze anos no poder, o governo trabalhista "perdeu o caminho" e também "o apoio do The Sun".

 

Tanto o Brown como seu ministro do Interior, Alan Johnson, responderam ao diário que não é a imprensa e sim os eleitores que decidem os líderes do país.

 

O premiê afirmou que não acredita que o tabloide possa decidir as eleições gerais do próximo ano, como supostamente ocorreu com o pleito de 1992, quando o The Sun apoiou ao conservador John Major contra o trabalhista Neil Kinnock. "Naturalmente, claro que gostaria que todos jornais me apoiassem, mas é o povo que decide", disse Brown, que acrescentou ter "a ideia antiquada de que na imprensa se procuram notícias e não opinião".

 

Apesar de suas tentativas de minimizar a perda do apoio do tablóide, a mudança de aliança do The Sun supõe um duro golpe para as aspirações do primeiro-ministro, que da mesma forma que seu antecessor, Tony Blair, tentou sempre cortejar a esse diário na busca de seu apoio.

 

A publicação foi um firme apoio de Blair, que não duvidou em conceder-lhe exclusivas e ao que o tablóide sustentou o tempo todo como prêmio por sua firme relação com os EUA e seu claro apoio à decisão americano de invadir Iraque.

 

Em seu editorial de primeira página, o The Sun explica que há doze anos, o Reino Unido, "com um governo dividido e exausto, reivindicava a gritos uma mudança", que parecia encarnar "um Novo Trabalhismo, que "se tinha despojado de suas destrutivas doutrinas de extrema esquerda" e tinha à frente a "um líder enérgico e carismático".

 

Após acusar os trabalhistas de fracassarem desde então em todas as frentes - saúde, imigração, ensino - e de não haver defendido melhor seus militares no Iraque e Afeganistão, o jornal afirma que o governo "ficou sem desculpas" e é preciso uma mudança no país.

 

Segundo o periódico, a Grã-Bretanha necessita agora de um governo capaz de recortar a burocracia que "estrangula os negócios", que corte impostos e estimule o crescimento, reforme os serviços públicos esbanjadores e que tenha além disso uma real vontade de ganhar a guerra do Afeganistão.

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