Bush diz que vai trabalhar para evitar violência no Kosovo

Parlamento do Kosovo proclamou um 'Estado democrático, livre e independente' neste domingo

EFE

17 de fevereiro de 2008 | 16h58

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assegurou neste domingo, 17, na Tanzânia, horas antes de o Kosovo declarar sua independência da Sérvia, que Washington cooperará com seus aliados para evitar a violência na região.   Veja também: Kosovo declara independência da Sérvia 'Sérvia nunca reconhecerá o Kosovo', diz presidente Rússia quer que ONU anule independência de Kosovo Entenda o que está em jogo em Kosovo Mapa: a disputa dos Bálcãs    "Os EUA continuarão trabalhando com seus aliados, fazendo o possível para assegurar que não haverá violência", disse Bush, segundo a transcrição de uma entrevista coletiva pronunciada na Tanzânia e divulgada hoje pela Casa Branca.   O presidente indicou que a cooperação com os países aliados será o que guiará a atuação americana na questão do Kosovo.   O Parlamento do Kosovo proclamou um "Estado democrático, livre e independente", declaração rejeitada plenamente pela Sérvia, que anunciou que "nunca reconhecerá" a soberania kosovar.   Em uma sessão extraordinária do Parlamento kosovar em Pristina, o primeiro-ministro Hashem Thaçi, um ex-líder guerrilheiro, tornou real o sonho dos cerca de 2 milhões de albano-kosovares, que agora esperam ser reconhecidos como Estado pela comunidade internacional, o que alguns países já fizeram neste domingo.   Bush afirmou que os EUA acreditam que "é necessário resolver o status do Kosovo para que haja estabilidade nos Balcãs".   O presidente americano lembrou que Washington apoiou de forma contundente o plano Ahtisaari, que assegura, entre outros aspectos, os direitos das minorias étnicas.   O plano leva o nome do ex-presidente finlandês Marti Ahtisaari, a quem a ONU autorizou em 2005 a mediar as negociações entre Belgrado e Pristina sobre o estatuto definitivo do Kosovo.   Ahtisaari apresentou em janeiro de 2007 uma "soberania tutelada" internacionalmente para o Kosovo.   Segundo o estabelecido no plano, o Kosovo não terá Exército próprio nem ministro de Assuntos Exteriores e também não poderá ser membro da ONU.   "Apoiamos contundentemente o plano Ahtisaari", disse Bush, assegurando estar encorajado "pelo fato de que o Governo do Kosovo proclamou claramente sua vontade e seu desejo de respaldar os direitos dos sérvios no Kosovo".   O presidente americano afirmou que "é interesse da Sérvia se alinhar com a Europa" e acrescentou que "o povo sérvio pode contar com os EUA como amigo".   Boas-vindas   O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, afirmou neste domgino em Washington que os Estados Unidos dão boas-vindas ao "claro compromisso (do Kosovo) com a implementação das disposições do plano Ahtisaari" para proteger as minorias étnicas.   "Os EUA estão agora analisando e discutindo o assunto com seus parceiros europeus", afirmou McCormack.   Ele acrescentou que os EUA consideram que "o plano Ahtisaari (...) é a melhor forma de impulsionar a estabilidade regional e permitir que tanto a Sérvia como o Kosovo avancem no caminho euro-atlântico".   McCormack assegurou que Washington "continuará respaldando categoricamente os direitos de todas as comunidades étnicas e religiosas no Kosovo".   Há a previsão de que a UE envie nas próximas semanas cerca de dois mil especialistas, policiais, juízes e outros funcionários para apoiar o Governo kosovar na construção de um Estado de Direito.   O Kosovo será o sexto Estado que surge da federação dominada pela Sérvia desde 1991, depois de Eslovênia, Croácia, Macedônia, Bósnia e Montenegro.   Bush evitou responder diretamente se os EUA reconhecem o Kosovo, mas é esperado que tanto Washington como a maioria dos membros da União Européia reconheçam o novo Estado.   Tanto a Sérvia como sua aliada Rússia argumentam que a independência pode ser um perigoso precedente para os separatistas de todo o mundo.   O presidente sérvio, Boris Tadic, disse que o país nunca aceitará o Kosovo independente, e a Rússia solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que será realizada neste domingo.

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