Bush é recebido na Itália sob protestos contra a guerra

Presidente americano está em Roma para pressionar Berlusconi por postura mais dura contra o Irã

Reuters e Associated Press,

12 de junho de 2008 | 08h59

O presidente americano, George W. Bush, pode esperar uma recepção calorosa do premiê Silvio Berlusconi e do papa Bento 16, durante sua passagem por Roma, mas encontrou situação diferente na cidade, onde protestos contra a guerra ocuparam as ruas. Bush pedirá nesta quinta-feira, 12, que primeiro-ministro italiano adote uma postura mais dura em relação ao programa nuclear do Irã e que responda aos pedidos dos Estados Unidos para que as tropas da Otan desempenhem um papel mais ativo no Afeganistão. Bush teve uma recepção fria por parte dos italianos, com cerca de 2 mil pessoas protestando durante sua chegada ao país na quarta-feira e algumas manifestações isoladas na quinta-feira, como um pequeno grupo que gritava "Bush, vá para casa" quando o presidente visitou a Academia Americana de Roma.  Reclamando da "falta de informação e da propaganda" sobre os Estados Unidos, Bush disse a empresários: "A melhor diplomacia para a América, particularmente entre os mais jovens, é recebê-los em nosso país. Temos compaixão, somos um país aberto, nos importamos com as pessoas e somos empresariais."  As investidas de Bush para isolar Teerã e conseguir mais tropas para o Afeganistão são limitadas na Europa, mais preocupada em quem o sucederá nas eleições presidenciais de novembro. A admiração do governo Berlusconi por Bush vai contra o sentimento público no continente, onde o presidente norte-americano é amplamente criticado pela guerra do Iraque.  A segurança da cidade foi extremamente reforçada para a visita de dois dias. Vôos comerciais foram interrompidos sobre a cidade, dezenas de ônibus tiveram suas rotas alteradas, centenas de policiais estão por toda a parte e monitoram qualquer tipo de protesto. Ao contrário dos líderes europeus na época, como o chanceler alemão Gerhard Schroeder e o ex-presidente francês Jacques Chirac, Berlusconi apoiou a guerra do Iraque desde o início. O premiê, em seu segundo mandato, mandou 3 mil soldados para o Oriente Médio após a queda de Saddam Hussein. Mais 2 mil soldados ainda fizeram parte da missão da Otan no Afeganistão.

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