Bush pede que Rússia não reconheça soberania de separatistas

Parlamento russo legitima independência de províncias georgianas; medida precisa ser aprovada pelo Kremlin

Agências internacionais,

25 de agosto de 2008 | 18h23

O presidente dos Estados Unidos George W. Bush pediu nesta segunda-feira, 25, que os líderes russos respeitem a integridade territorial da Geórgia e não reconheçam a independência das regiões separatistas da Geórgia, Ossétia do Sul e Abkházia. "Estou profundamente preocupado com o apelo feito hoje ao presidente (russo, Dmitri) Medvedev pelo Parlamento russo, para que ele reconheça as regiões georgianas de Ossétia do Sul e Abkházia como países independentes", declarou o líder americano em comunicado. "Peço à liderança da Rússia que não reconheça essas regiões separatistas."   Veja também: Câmara russa reconhece regiões separatistas Entenda o conflito separatista na Geórgia   Em uma votação unânime, a Duma (Câmara dos Deputados russa) pediu nesta segunda-feira para que o presidente russo, Dmitri Medvedev, reconheça a independência das regiões separatistas. A decisão dos parlamentares ainda precisará da ratificação do Kremlin - algo que o governo pode atrasar enquanto negocia outras questões com os países ocidentais.   Ao mesmo tempo, o G7 disse estar "alarmado" com a notícia de que o Parlamento russo reconheceu a autonomia das províncias. Em uma conferência, oficiais do Grupo dos Sete disseram estar "unidos em apoio à integridade territorial da Geórgia", indicou um porta-voz. São membros da aliança os Estados Unidos, Itália, Reino Unido, França, Alemanha, Canadá e Japão.   Mais cedo, um porta-voz da Casa Branca anunciou que os Estados Unidos "revisarão por completo" sua relação com a Rússia, após acusar Moscou de não cumprir o acordo de cessar-fogo no Cáucaso. "Estamos revisando por completo nossa relação com a Rússia, declarou o porta-voz Tony Fratto, acrescentando que "não há duvidas de que a Rússia não cumpriu a trégua" promovida pela França.   Nesta segunda-feira, os deputados russos qualificaram de "agressão bárbara" as ações do governo da Geórgia no início de agosto contra a Ossétia do Sul, na qual, segundo as autoridades da região separatista, morreram mais de 2 mil pessoas. Segundo a Duma, a possibilidade de que Geórgia restabeleça sua integridade territorial pela via política não têm nenhuma perspectiva e "esta nova realidade, cedo ou tarde, será reconhecida por toda a comunidade mundial."   As tensões nas regiões se intensificaram depois que Mikhail Saakashvili foi eleito presidente da Geórgia em 2004, com uma promessa de reunificar o país. A ofensiva contra os separatistas da Ossétia do Sul no início dos Jogos de Pequim provocou a retaliação russa, que motivou o conflito que atingiu o Cáucaso nas últimas semanas.   Após a retirada das tropas russas do território georgiano, Moscou insiste em manter as chamadas forças de pacificação nas províncias separatistas com o objetivo de preservar o controle da região. No caso da Ossétia do Sul, se trata de uma região estratégica, já que o oleoduto atravessa o território e transporta o petróleo do Cáucaso para o Ocidente através da Turquia, o que dependeria do fornecimento russo.

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