Bush pretendia invadir Iraque antes mesmo do 11 de setembro

Declarações de britânicos nas investigações sobre entrada do Reino Unido na guerra revelam planos dos EUA

estadao.com.br,

25 Novembro 2009 | 12h41

Participantes das investigações conduzidas pelo Reino Unido sobre o envolvimento deste país na Guerra do Iraque revelaram na terça-feira, 24, que os EUA pretendiam invadir o país do Oriente Médio antes dos ataques ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001, segundo o jornal espanhol El País.

 

Segundo Peter Ricketts, que presidia o Comitê Conjunto de Inteligência britânico, as autoridades do Reino Unido chegaram a redigir um documento que contemplava a destituição do líder iraquiano Saddam Hussein. O ex-oficial, entretanto, disse que "a questão nunca chegou a ser discutida em nível ministerial em Londres por carecer de bases legais".

 

Ainda de acordo com Ricketts, o governo de Tony Blair, então primeiro-ministro britânico, "se distanciou da hipótese de derrubar Hussein no começo de 2001" e "se concentrou no endurecimento de sanções ante os preocupantes indícios de que o iraquiano tentava desenvolver armas de destruição massiva".

 

(Com informações de O Estado de S. Paulo)

O responsável do Foreign Office para o Oriente Médio, William Patey, disse que os "tambores de guerra rufavam em Washington desde 2001", antes mesmo dos ataques de 11 de setembro, depois dos quais os EUA colocaram o Iraque como o principal alvo na guerra contra o terrorismo.

 

Investigações

 

A investigação, que contará com o testemunho de Blair, não estabelecerá responsabilidades civis ou legais, mas pretende esclarecer a decepção dos britânicos com a decisão do governo de apoiar a invasão americana ao Iraque em 2003.

 

"Ninguém será julgado aqui. Não podemos determinar culpabilidade ou inocência, só uma corte pode fazer isso", afirmou John Chilcot, presidente da comissão. "No entanto, comprometo-me a não evitar críticas a instituições, processos ou indivíduos quando chegarmos a nosso relatório final."

 

A comissão, indicada pelo premiê Gordon Brown, começou seus trabalhos em julho, mas os primeiros procedimentos ocorreram a portas fechadas. Durante esse período, o comitê recolheu depoimentos de parentes dos 179 soldados britânicos mortos no Iraque.

 

Durante 2010, a comissão, que investiga o período de 2001 até julho (mês em que a Grã-Bretanha retirou seus soldados do Iraque), deve interrogar dezenas de funcionários do governo - entre eles militares e agentes do serviço secreto - antes de apresentar suas conclusões.

 

No entanto, a comissão não tem advogados entre seus integrantes. Por isso, muitos acreditam que a principal pergunta referente à legalidade do conflito continuará sem ser respondida.

 

O depoimento mais esperado é o de Blair, marcado para janeiro. O ex-premiê será questionado sobre se apoiou ou não secretamente o plano dos EUA de invadir o Iraque um ano antes de o Parlamento britânico ter autorizado o envolvimento militar do país na guerra, em 2003. A decisão de Blair de enviar 45 mil soldados ao Iraque fez com que ele batesse recordes de impopularidade e foi um dos principais fatores que causaram a sua saída do governo em 2007.

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